O ministro das finanças grego não acredita nos resultados do plano do Banco Central Europeu (BCE) para injetar dinheiro na economia e levar a retoma à zona euro. Para Yanis Varoufakis, o programa de compra de títulos, no valor de 1,1 biliões de euros vai falhar no objetivo de promover o investimento e o crescimento económico e propõe “o Plano Merkel”. O polémico governante grego defende como alternativa um plano de estímulos que passe pela emissão de dívida associada a projetos de investimentos financiados pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI).

Varoufakis foi um dos participantes no simpósio económico Ambrosetti que se realizou em Cernobbio, Italia e onde participaram também o governador do BCE, Ignazio Visco e o ministro das finanças italiano, Pier Carlo Padoan, que defendeu a estratégia promovida pelo seu compatriota Mario Draghi.

QE (Quantative Easing que pode ser traduzido por compra de ativos no mercado) “pode revelar-se insustentável ao mesmo tempo que incapaz de fazer crescer o crédito privado e o investimento em atividades produtivas”. O ministro grego deixa então a sugestão: “Imaginem um plano alternativo ao QE em que o BEI (Banco Europeu de Investimentos) receberia instruções para liderar um plano de recuperação para a Europa baseado no investimento. Gostaria de lhe chamar isso o plano Merkel”.

Esta proposta, que Varoufakis já fez no passado, prevê que o BCE emita mais moeda para comprar dívida emitida pelo BEI que usaria estes fundos para investir na economia real. Desta forma, acrescenta, “o problema do Banco Central Europeu ficaria resolvido porque apenas iria comprar títulos (obrigações do BEI) com o rating mais alto, o triplo A, sem ter de adquirir dívida de outros países”, designadamente de periféricos como a Grécia ou Portugal cujo rating está baixo do nível de segurança.

O ministro grego acredita que este modelo permitira canalizar mais diretamente o dinheiro para o investimento produtivo, evitando o risco de bolhas especulativas nos mercados financeiros. O plano do BCE de compra de dívida transfere recursos financeiros para os bancos, na expectativa de que estes aumentem o volume de crédito concedido à economia e baixem os custos do financiamento às empresas.

Opinião oposta tem o ministro das finanças italiano. Pier Carlo Padoan defendeu o programa do BCE, que arrancou na semana passada, considerando que os resultados positivos são já visíveis na desvalorização do euro. Para o ministro italiano, um euro mais fraco e uma perspetiva positiva na economia europeia são dois fatores que vão estimular a retoma da economia da Itália.

No mesmo evento, mas na sexta-feira, Varoufakis, revelou aos jornalistas de que o governo grego estará disposto a suspender a aplicação de algumas medidas bandeira que o Syrisa defendeu na campanha eleitoral com o objetivo de facilitar um acordo com os credores institucionais nas próximas semanas, apontado a data de 20 de abril.