O Banco de Portugal reviu esta quarta-feira em alta o crescimento esperado para a economia portuguesa, esperando que o PIB português avance 1,7% este ano, mais duas décimas que os 1,5% esperados na previsão feita em dezembro e pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015. A partir de 2017, a instituição já vê a economia a crescer 2%.
Numa atualização intercalar das projeções que faz para a economia portuguesa, a instituição liderada por Carlos Costa está mais otimista sobre o desempenho da economia portuguesa.
Com base em nova informação disponível até meados de março, o Banco de Portugal antecipa um ritmo mais acelerado de crescimento nos próximo anos. Para começar, este ano, o crescimento é revisto de 1,5% do PIB para 1,7%. Isto acontece muito por culpa de uma recuperação da procura interna, que o banco central espere que cresça mais 0,6 pontos percentuais, face ao que esperava em dezembro.
Aqui, tanto o investimento como o consumo privado fazem o seu papel, mas o consumo privado, com o maior peso no PIB, deve avançar mais três décimas (2,4% em vez de 2,1%) face ao esperado em dezembro.
O banco central explica que esta aceleração reflete, ainda assim, “o crescimento projetado para as exportações, em linha com as hipóteses para a procura externa dirigida à economia portuguesa”. Esta evolução das exportações, cuja previsão para 2015 é melhorada em apenas uma décima, para 4,3%, mas com um crescimento de 0,8 pontos percentuais face ao esperado em dezembro no que diz respeito à previsão de dezembro, permite à economia continuar a registar saldos externos positivos, num ambiente de recuperação das importações.
Economia a crescer 2% em 2017
Esta é a primeira vez que o banco central faz previsões para 2017 e prevê já um crescimento acima de 2% (número referido a semana passada em Paris por Cavaco Silva numa visita à OCDE). O cenário baseia-se numa recuperação mais acelerada da economia portuguesa em 2015 e 2016, sendo que em 2016, segundo as projeções agora divulgadas pelo banco central, a economia já deve crescer a um ritmo de 1,9%.
O crescimento no próximo ano, a acontecer de acordo com o esperado pelo Banco de Portugal, acontece com o consumo privado a um ritmo consideravelmente inferior ao que se verificaria neste cenário este ano, mas com uma aceleração das exportações.
Inflação este ano não ajuda
Se o crescimento real da economia parece ir num sentido mais positivo, o valor em euros do PIB pode ficar afetado no final por uma questão de preços. Ou seja, o valor do PIB que serve de base para calcular o défice e a dívida pública em rácio do PIB pode não melhorar como o esperado.
O Governo espera no Orçamento do Estado para 2015, a última projeção oficial do Governo pelo menos até à divulgação em breve da atualização de 2015 do Programa de Estabilidade e Crescimento, que a economia cresça 1,5% este ano, abaixo dos 1,7% agora esperados pelo banco central.
No entanto, a previsão da inflação, que é grande parte do deflator (fator preços) que afeta o valor final do PIB do Governo é superior à previsão agora atualizada do Banco de Portugal em 0,5% pontos percentuais. O Governo espera que os preços cresçam 0,7%, mas o Banco de Portugal não antecipa mais que 0,2%.