A ‘Grande Coligação’ que suporta o Governo alemão sofreu mais uma baixa em resultado dos resgates na zona euro, e a contestação à estratégia para a resolução da crise aumenta no Parlamento alemão. Peter Gauweiler, um dos dirigentes da CSU, o grande parceiro da coligação, decidiu abandonar o Parlamento.

A posição Peter Gauweiler está longe de ser uma surpresa. O bem-sucedido advogado era um dos dirigentes do partido da Baviera, uma das regiões mais ricas, mas também mais conservadora da Alemanha, tem sido um dos grandes opositores à estratégia que tem sido seguida para resolver a crise, mas também contra o euro.

Agora, o eurocético diz que se sentiu pressionado a votar a favor da extensão de resgates, algo a que se opunha: “Foi-me exigido publicamente que apoiasse no Bundestag [Parlamento alemão], o contrário do que tenho defendido durante anos perante o Tribunal Constitucional Federal, e perante os meus eleitores”, disse numa declaração, citado pelo Financial Times.

Peter Gauweiler foi um dos 29 deputados da coligação que votou no Parlamento alemão contra a extensão por quatro meses do programa da Grécia, que estava previsto terminar no final de fevereiro, e que agora tem como data limite o final de junho.

A extensão do programa grego foi aprovada por uma grande maioria – 541 dos 586 deputados votaram a favor -, mas esta foi a maior oposição no Parlamento alemão a um resgate.

Angela Merkel enfrenta ainda um crescimento do apoio ao partido de extrema-direita Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha), que tem ganho capitalizado o desalento dos eleitores da CDU, o partido da Chanceler alemã.

Esta demissão surge numa altura em que se mantém o impasse em torno do programa grego. Atenas já reconheceu publicamente que tem problemas de liquidez e que precisa da última tranche do empréstimo, de cerca de 7,2 mil milhões de euros.

No entanto, o impasse em torno da lista de reformas da Grécia não perspetiva uma resolução antes da Páscoa, com a líder do mecanismo único de supervisão do BCE, Daniéle Nouy, a dizer esta terça-feira no Parlamento Europeu que os bancos gregos continuam a ser solventes, mas que o BCE está agora a ter “teleconferências frequentes” para acompanhar de perto o sistema financeiro, em especial a “saída de depósitos”, que muito tem alarmado as autoridades gregas e europeias.