Um meteorito com mais de dez quilómetros caiu sobre a Península de Iucatã, no México, com efeitos catastróficos. Já foi há 66 milhões de anos, mas continua a despertar a curiosidade dos investigadores. O Projeto Científico de Perfuração da Cratera Chicxulub quer escavar melhor o assunto, literalmente.

A partir de abril do próximo ano e durante dois meses, os investigadores envolvidos no projeto vão tentar perfurar a cratera com técnicas de engenharia petrolífera, noticia El Pais. A cratera, com cerca de 200 quilómetros, encontra-se atualmente submersa, a cerca de 40 quilómetros a noroeste do porto de Progreso. A perfuração de cerca de um quilómetro no fundo marinho permitirá chegar à camada que tem 66 milhões de anos.

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A força do impacto do meteorito foi tal que toneladas de fragmentos foram projetados e atravessaram a atmosfera, descreve El País. A fricção das rochas na atmosfera produziu uma onde de calor que varreu a superfície do planeta. Além disso, a nuvem de poeira que se gerou com o impacto cobriu uma vasta área, ensombrando a Terra e impedindo a fotossíntese. As consequências da queda deste meteorito exterminaram várias espécies de animais e plantas e há quem considere que serão responsáveis pela extinção dos dinossauros.

O objetivo deste projeto é, segundo Jaime Urrutia Fucugauchi, investigador na Universidade Nacional Autónoma do México, citado pelo jornal espanhol, são:

  • conhecer com precisão detalhes do impacto, como velocidade do impacto e efeito no clima e vida terrestre;
  • saber como se restabeleceu a vida no planeta depois do impacto;
  • estudar as mudanças climáticas ao longo do tempo;
  • estudar como se forma um cratera de anéis concêntricos (porque esta é a única deste tipo na Terra).

O investigador perseguiu nos anos 1980 o rasto das crateras de lugares remotos, da Índia ao Brasil, à procura da cratera do meteorito que poderá ter levado à extinção dos dinossauros. Mas afinal o que procurava estava mesmo debaixo do nariz, na costa mexicana.