Direitos LGBTI

Taylor não aguentou o bullying. E suicidou-se

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Taylor Alesana tinha 16 anos e ficou conhecida pelos vídeos no Youtube sobre maquilhagem. Sofria de bullying no liceu por ser transgénero. Este ano já se suicidaram sete jovens transgénero nos EUA.

Instagram de Taylor Alesana

Autor
  • Catarina Marques Rodrigues

Para ela, ir à escola era um pesadelo. Almoçava sempre sozinha. Estava acompanhada, sim, mas pelo burburinho e pelos risos dos outros jovens. “Eu perdi muitos amigos. Tem sido um inferno”, explicava Taylor Alesana, de 16 anos. Ela nasceu rapaz mas sentia-se rapariga. Taylor acabou por suicidar-se.

A jovem transgénero tinha optado por, além de ser menina, parecer menina, mas cansou-se de sofrer bullying constante e decidiu recuar. No vídeo “Update! *Sad*”, Taylor começa por dizer: “Olá Youtube. Sei que não é assim que me costumo apresentar, mas de seguida vou explicar porque é que estou a fazer isto”. Taylor ficou conhecida pelos tutoriais que publicava no Youtube sobre maquilhagem e, naquele momento, estava com a cara limpa.”Vivi umas semanas muito duras”, explicava. “Tive de voltar ao meu armário e vestir-me como rapaz, tive de cortar as unhas e cortar o cabelo. Fiz isto para a minha proteção. Fui muito gozada”. Mas a cedência não foi suficiente para que a pressão terminasse.

Taylor estudava no liceu de Fallbrook, na Califórnia (EUA). A família não adianta pormenores sobre a morte. Sabe-se apenas que aconteceu a 2 de abril e que o seu caso vem subir para sete o número de suicídios de jovens transgénero registado nos EUA desde o início do ano até agora, realça o Daily Mail.

A jovem frequentava o Centro LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Questioning – à descoberta) de San Diego, na Califórnia. Segundo o responsável, Taylor “dava muito apoio aos outros jovens transgénero”, mas a “escola não tomou os passos necessários” para evitar o bullying, aponta Max Disposti. “A pior coisa que se pode fazer é dizer nada, e foi isso que aconteceu aqui”, acrescenta.

A hashtag #HerNameWasTaylor (O nome dela era Taylor) está a ser usada pelos utilizadores no Twitter a acompanhar mensagens de lamento por Taylor ter posto fim à vida. Uma utilizadora pergunta: “Quantas mais pessoas bonitas vamos ter de perder para que a sociedade perceba o que lhes está a fazer…”

Ainda durante esta semana Obama pediu o fim das chamadas “terapias de conversão” para homossexuais e transgénero. Numa nota publicada no site da Casa Branca, a administração Obama admite que o texto vem na sequência do suicídio em dezembro de uma jovem transgénero, Leelah Alcorn, que estava a seguir “terapia religiosa” para ficar curada e voltar a ser um menino. Valerie Jarrett, conselheira de Obama, dizia: “Foi um acontecimento trágico, mas (…) não é só a história de uma jovem. É a história de inúmeros jovens que são sujeitos a isto”.

À ABC James Garbarino, professor de Psicologia na Universidade de Loyola em Chicago, afirmou que os estudantes transgénero estão hoje “na mesma situação em que estavam os gays e lésbicas há dez ou vinte anos” no que toca à perseguição e à discriminação. “O que motiva tudo isto – seja género, raça ou classe – é o modo a sociedade vê estes temas”, conclui o psicólogo.

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