Trajados maioritariamente de preto, os participantes na ação, organizada pela delegação portuguesa da Amnistia Internacional, apelaram para que os líderes europeus lancem uma operação de busca e salvamento em larga escala naquela zona.

Junto ao Cais das Colunas, as dezenas de participantes lançaram flores à água, após marcharem lentamente e em silêncio desde o Rossio, onde se concentraram.

Em declarações à Lusa no final da cerimónia, a diretora executiva da Amnistia Internacional, Teresa Pina, exortou a comunidade internacional a rever as estratégias e a tomar medidas para salvar vidas, lembrando que os migrantes “não são perigosos, mas estão em perigo”

Teresa Pina criticou as “operações francamente insuficientes” da União Europeia, por estarem “muito aquém de uma operação de cariz humanitário com meios aéreos, meios marítimos redobrados e que, sobretudo, tenha um alcance mais próximo, que chegue à zona onde ocorrem os naufrágios, como acontecia até ao ano passado com a operação ´Mare Nostrum` que foi interrompida”.

Empunhando dísticos com nomes de algumas vítimas do naufrágio, os manifestantes demonstraram o seu “sentimento de revolta” face à alegada “impotência” da comunidade internacional e todos os países – quer os de partida, como os de chegada — perante um problema que consideram ser de dimensão global.

“Protejam as pessoas, não as fronteiras”, porque “não há pessoas ilegais”, lia-se em alguns cartazes exibidos em silêncio pelos manifestantes que prometem não “parar de fazer pressão” até que os líderes europeus resolvam o problema do Mediterrâneo, respeitando os Direitos Humanos.

Após o naufrágio de 19 de abril que vitimou mais de 600 pessoas quando tentavam chegar a Itália, a Amnistia Internacional lançou uma petição que será entregue ao governo português. A iniciativa visa pressionar os governantes europeus “para que sejam capazes de abrir os olhos e ver que há pessoas que pessoas que fogem para Europa em circunstâncias muito complicadas, desde fome, conflitos armados”, disse à Lusa Ângela Ferreira, ativista da organização.

“É preciso alertar as pessoas para este sofrimento que é atroz. Há pessoas a morrer, que tentam uma vida melhor e a busca da dignidade e isso está a ser negado às pessoas. Tem de haver uma pressão sobre a comunidade internacional e todos os países, quer os de partida, como os de chegada. Isso é um problema à escala global. Os direitos das pessoas e a sua dignidade estão acima das fronteiras”, disse Graça Farias, também ativista da Amnistia Internacional.

Em 2014 milhares de pessoas morreram a tentar chegar à Europa através do Mediterrâneo, naquela que as Nações Unidas descreveram como uma das rotas mais perigosas do mundo. Cerca de 170 mil pessoas chegaram a Itália em 2014 depois de resgatadas pela marinha, guarda costeira ou navios mercantes.