Inicialmente, as ilhas funcionavam como um local onde o dono, Fredrik Hären, escritor e orador profissional, encontrava a paz e o sossego para dar azo às suas ideias. Mas com o passar do tempo, e para bem dos comuns mortais, o sueco percebeu que não deveria ser o único a desfrutar de tamanho privilégio e decidiu ceder as ilhas a quem tenha ideias mas se sinta claustrofóbico na cidade para as desenvolver.
São três ilhas, duas na Suécia — Vifärnaholme e Svanholmen — e uma nas Filipinas, Palawan, fechada desde que o tufão Yolanda a destruiu por completo, tendo deixado de pé apenas uma sanita. Esta ilha ainda não tem data de reabertura porque, como diz o dono, “este projeto não tem fins lucrativos e acabamos por perder muito dinheiro, logo não temos pressa em reconstrui-la. Ficamos felizes pelas ilhas suecas estarem inteiras.”
Se se está a perguntar “o que é que se faz numa ilha privada?”, Fredrik diz que não se faz “nada”, porque é quando não se faz nada que as ideias surgem. E por isso mesmo as ilhas são consideradas “santuários” para pessoas criativas.
Antes de embarcar para qualquer ilha, são-lhe pedidos mil dólares (cerca de 900 euros) para caridade, que podem ser utilizados para plantar árvores em Palawan (a ilha das Filipinas) ou para a Stadsmissionen, em Estocolmo, que ajuda os sem-abrigo da capital sueca. Ao Observador, Fredrik Härén disse que a grande maioria das pessoas que, até hoje, ficou instalada nas ilhas, não pagou esses mil dólares, avançando que a razão pela qual se pede esse valor é para “filtrar os bons candidatos”: depois de ver “quem está disposto a doar essa quantia para caridade é mais fácil identificar as boas pessoas”. No entanto, a doação não é um pré-requisito para ficar numa das ilhas.
Além de não haver custos de estadia, nem ter de partilhar a sua ilha privada com estranhos, também não há limite de idade para se candidatar. E o melhor de tudo: não precisa de ser um criativo solitário, pode levar seis amigos e juntos trabalharem numa ideia que poderá vir a revolucionar o mundo. A estadia tem a duração de uma semana, mas se apresentar razões suficientemente boas e fortes para ficar mais tempo, as suas preces podem ser ouvidas.
Questionado pelo Observador se haveria alguma espécie de multa caso um grupo de amigos fosse para uma das ilhas e acabasse por não desenvolver ideia nenhuma, porque se perdeu na natureza, Fredrik Härén respondeu que não há multa e que “se isso acontecer é porque estava destinado a ser assim”.
A única coisa que tem de pagar é a viagem até lá, ou pelo menos até à cidade mais próxima com aeroporto, e seguir de barco até uma das ilhas. As coordenadas serão enviadas aos sortudos que forem escolhidos.
As ilhas estão abertas de 1 de junho a 30 de setembro, mas na sua candidatura pode dizer que semana gostaria de lá ficar. Fredrik diz que não há um tipo de ideias preferencial — só têm de ser criativas e inspiradoras. E por falar em candidatura, fica uma dica: quando concorrer, se mandar um vídeo pode ser que tenha uns pontos extra.
Apesar de parecer maravilhoso passar a lua-de-mel numa das ilhas ou festejar o seu aniversário, a gerência pede desculpas mas não aceita. As ilhas são única e exclusivamente para as pessoas trabalharem nas suas ideias.
Se achar que isto é demasiado bom para ser verdade, veja por si mesmo as fotos na fotogaleria acima e o vídeo feito pelos Barefoot Basterds quando estiveram em “residência criativa”.