O topónimo Algarve busca raízes na expressão árabe al-gharb, que significa ocidente. A região divide-se em duas zonas — Barlavento e Sotavento — tal como as ilhas cabo-verdianas. O Barlavento é a zona mais a ocidente e o Sotavento mais a leste. Cada zona tem oito municípios. Comecemos o nosso percurso pelo lado mais ocidental do Algarve.

Barlavento

Aljezur, a herança moura e a II Guerra Mundial

A vila de Aljezur foi fundada no século X pelos árabes. O período islâmico foi a altura de maior desenvolvimento de Aljezur, como provam os vestígios deixados, por exemplo, no castelo ou na Ponta da Atalaia (Ribat da Arrifana). Pode começar a visita a este concelho, inserido no Parque Natural da Costa Vicentina, pelo castelo. Hoje é possível visitar o que resta dele: muralhas, duas torres, interior com cisterna abobada de origem árabe, assim como vestígios de habitações e casernas. E para quem não sabe, durante a II Guerra Mundial, houve um combate aéreo nos céus de Aljezur entre os alemães e as forças aliadas.

Deixando as curiosidades históricas de lado, um dos itinerários possíveis é visitar a Igreja Matriz, mas se quiser fugir ao património religioso, pode ainda dar um saltinho ao núcleo museológico do Moinho da Arregata. Fica no Rogil. É um típico moinho de vento ainda em funcionamento que revela o processo de moagem de cereais. Está aberto ao público nos meses de verão. Mas o que não pode mesmo perder é o Festival da Batata-doce de Aljezur, um certame que costuma acontecer em novembro, e que mostra os vários pratos e doces típicos da região. É o sítio ideal para comer percebes, um dos ex-libris da costa vicentina.

Promotorium Sacrum

Já no concelho de Vila do Bispo fica localizada a Fortaleza de Sagres, construída no Cabo de Sagres, conhecido como Promotorium Sacrum, por ordem do infante D. Henrique. No interior podem ver os canhões, um torreão quinhentista e ainda a Igreja de Nossa Senhora da Graça. Um dos ex-líbris do monumento é a rosa do ventos, um relógio de sol que alguns consideram ser do tempo do infante e da escola náutica que ele fundou em Sagres. Aproveite também para visitar pela Fortaleza do Cabo de São Vicente. Foi erigida no seculo XVI para proteger a costa dos ataques dos piratas mouros e, segundo reza a lenda, o local onde foi erguida a fortaleza terá acolhido os restos mortais de São Vicente antes de terem sido trasladados para Lisboa. Dentro da fortaleza está o farol, construído em 1904 e que ainda hoje funciona. Aproveite para espreitar para a praia. Um mar a perder de vista.

Lagos e a sua história

Habitada desde a pré-história, a cidade de Lacobriga tem origens celtas. O porto de Lagos era frequentado pelos fenícios, gregos e cartaginenses e manteve grande importância durante o período romano. Foi aqui que viveu infante D. Henrique, o pai dos Descobrimentos marítimos, que fez desta cidade o porto das naus de Gil Eanes, navegador algarvio que dobrou o cabo Bojador, por volta de 1434. É de aproveitar para mergulhar na história e visitar as muralhas da cidade, do período romano. Não muito longe fica o Forte da Ponta da Bandeira. Fortaleza do século XVII, construída à entrada da barra da ria de Bensafrim, tem uma vista magnífica. Lá dentro pode ainda espreitar a capela toda coberta de azulejos. E já agora aproveite para passear na avenida dos Descobrimentos e perder-se no moderno mercado municipal ou passar um dia tranquilo na natureza no Zoo de Lagos.

1789-145A

No fresquinho da serra

Os romanos foram os primeiros a instalar-se em Monchique, em busca dos benefícios curativos das suas águas cristalinas. Desde o período islâmico, esta localidade serrana prosperou devido à produção de mel e medronho. Hoje é local obrigatório para quem quer respirar ar puro da serra ou desfrutar das qualidades termais das águas. A serra é também conhecida pela sua gastronomia, famosa pela sua carne de porco preto e enchidos. É de aproveitar fazer uma visita às Termas de Monchique, às Caldas de Monchique. Pelo caminho pode deliciar-se com uma bela sandes de presunto que os cafés à beira da estrada costumam vender. Continue a subir e vai chegar à Fóia: o ponto mais alto do Algarve. Atenção: se gosta de comer e beber, então visite Monchique na altura da Feira dos Enchidos, que costuma realizar-se em março.

De Monchique a Portimão são 15 quilómetros de distância

Rapidamente desce a serra e consegue chegar a Portimão. Mas bem escondidinha da costa estão os monumentos megalíticos de Alcalar, um dos mais importantes sítios arqueológicos do sul do país. Pode visitar este local mágico e viajar no tempo, regressando ao passado. Pode ver restos de uma comunidade megalítica, casa da necrópole cujos sepulcros recorrem a soluções arquitetónicas como dólmenes e cúpulas. Já no centro da cidade fica o Museu Municipal de Portimão, instalado no antigo edifício da fábrica de conservas Feu. É um importante espólio relacionado com a indústria conserveira e com a pesca. Já mais próximo da confusão da Praia da Rocha está a Fortaleza de Santa Catarina, com uma vista privilegiada sobre a praia. Se continuar o passeio junto à costa vai chegar a uma pequena vila piscatória: Alvor. A Ria de Alvor é uma das zonas lagunares mais importantes da região, fazendo parte da Rede Natura 2000 e sendo considerada um sítio de importância europeia. Pode apreciar a zona dando um passeio no calçadão de madeira, construído por cima do rio, ou ficar apenas a contemplar a vida dos pescadores da vila. Se for amante de desportos radicais pode sempre trazer o seu kitesurf.

Silves, a capital islâmica do Algarve

Foram os árabes que fizeram de Silves a capital islâmica do Algarve. Precisamente pela sua importância, Silves foi a primeira cidade algarvia a ser conquistada pelos cristãos em 1189, liderados pelo rei D. Sancho I, tendo só sido conquistada definitivamente aos árabes em 1249. Local ideal para conhecer um pouco de história. O Castelo de Silves fica situado no alto de uma colina. Se for aventureiro percorra o passeio de ronda que inclui três torreões e sete quadrelas. É hoje um dos melhores exemplares da arquitetura militar árabe em Portugal. Não deixe de ir ao Museu de Arqueologia, que fica próximo ao castelo. Estão expostos vários achados arqueológicos da região que vão desde o período Paleolítico à época medieval, ou seja, oito mil anos de história. E já que vai andar pelo concelho fique a saber que as melhores laranjas algarvias são desta zona. Por isso, aproveite e compre um quilo deste fruto à beira da estrada aos comerciantes locais. Costuma ser bom e barato. Aproveite e vá na altura da feira medieval, em agosto.

Feira Medieval em Silves

A Feira Medieval realiza-se em agosto e é um evento a nível regional

Sotavento

Loulé, a capital da world music

A presença árabe no concelho durou cinco séculos e foi decisiva para que esta cidade se tornasse num grande centro urbano, designado de Al-Ulya. Após a década de 70, tornou-se num dos mais importante concelhos algarvios, do qual fazem parte a luxuosa zona de Vilamoura e Almancil. Vale a pena passar pelo Castelo de Loulé, uma construção militar de origem árabe, do século XIII. Do antigo castelo restam apenas três torres e uma parte da muralha que envolvia a cidade. No interior está localizado o museu municipal e o posto de turismo.

Outro local de grande interesse é o mercado municipal, considerado a obra arquitetónica mais marcante da primeira década do século XX, no concelho de Loulé. Tem um estilo neoárabe inserido na corrente artística, denominada Arte Nova. Vale a pena visitar os produtores locais e visitar um mercado totalmente renovado. Aproveite a vá na altura da Feira do Chocolate. E já agora marque viagem em junho porque é nessa altura que acontece o festival MED, um dos mais famosos festivais de músicas do mundo. Este ano o festival realiza-se de 25 a 27 de junho.

Faro e a ria que é Formosa

A capital do Algarve deve aos romanos a sua fundação. Ossonoba foi uma das cidades mais importantes da região durante o período romano. Durante o período visigótico, Ossonoba foi sede de bispado, mantendo grande importância durante o domínio árabe. Atualmente, Faro é a capital administrativa da região, onde fica localizado o aeroporto e a Universidade. Um dos importantes símbolos culturais é o Teatro Lethes. Fica no antigo Colégio da Companhia de Jesus e foi comprado por uma família ilustre de Faro após a extinção das ordens religiosas. O edifício foi adaptado para teatro e abriu portas em 1845. É um exemplo da arquitetura romântica e tem bastantes semelhanças com o teatro São Carlos, em Lisboa. Também o mais recente Teatro das Figuras complementa a oferta artística da cidade. Outra relíquia da capital do Algarve é a Ria Formosa, zona de sapal que se estende por Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. A paisagem é protegida pelo Parque Natural. Pode deliciar-se com um passeio pela ria, comer bom marisco ou apanhar um barco e visitar uma das cinco ilhas barreira que existem nesta zona lagunar: ilhas da barreta, da Culatra, da Armona, de Tavira e de Cabanas.

Nas margens do Guadiana

Desde 2500 a.C que as jazidas de cobre, ferro e manganês atraíram diferentes povos a Alcoutim. Os romanos desenvolveram a indústria mineira na região. No século XIV foi construído o castelo para defender esta região fronteiriça. Tem muralhas e torres defensivas. Além disso pode desfrutar-se de uma magnífica paisagem panorâmica sobre o rio Guadiana, a vila de Alcoutim e a aldeia espanhola de Sanlucar. Dentro do castelo está o museu, onde pode perceber melhor a história deste concelho. Vale a pena passar uma vista de olhos pelo pequeno núcleo museológico dedicado à história de Alcoutim, nomeadamente à ligação desta povoação com o rio Guadiana. Instalado numa antiga escola primária, exibe um acervo dedicado às artes da pesca. Se é amante da aventura pode percorrer todo o Algarve através da Via Algarviana, de Alcoutim ao Cabo de São Vicente, a pé ou de bicicleta. De que é que está à espera para conhecer este outro Algarve.