Em tom de brincadeira, às vezes digo que noutra encarnação devo ter sido minhota. Uma origem imaginária que concorre diretamente com itália. Do Minho sou fã da paisagem, da simpatia vaidosa das suas gentes, dos bordados, da filigrana, das romarias. De Itália, gosto sobretudo da comida e da língua, tão verbal como gestual. Pensando bem, a mão na anca de uma mulher do Minho e os dedos unidos virados para cima de uma nonna italiana, não são gestos assim tão diferentes.

Mas na comida, por muito que goste de rojões e de outras iguarias minhotas, Itália leva de facto a melhor. Dêem-me uma salada caprese e eu fico feliz; dêem-me um simples esparguete salteado em alho e azeite e eu fico satisfeita; dêem-me um affogato e eu já não peço mais nada.

E depois há os 1001 tipos de pasta, com nomes e formas tão incríveis como “sorprese lisce”, “treccine”, “risoni”, “lancette”, “bavette”, “garganelli”, e tantos outros. A variedade de formas que os italianos dão à massa é, aliás, uma grande arma de quem cozinha todos os dias para a família. Quando me surge aquela dúvida chata sobre o que fazer para o jantar, muitas vezes recorro a uma receita de sempre, mas mudo-lhe o tipo de massa. Sei que vai agradar sem parecer repetitivo.

Para o prato que se segue, não é preciso nenhum tipo de massa raro ou sofisticado: basta um humilde macarronete (ou pennoni rigate), e mais alguns ingredientes que é sempre bom ter na despensa.

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Macarronete com tomate seco e azeitonas

Para 2 pessoas

160 g de macarronete
75 g de azeitonas pretas descaroçadas
40 g de tomate seco (preferencialmente conservado em azeite)*
1 cebola
3 dentes de alho
Azeite qb
Óregãos secos qb
Salsa ou manjericão fresco qb
Sal e pimenta preta a gosto
Nozes qb (opcional)
Queijo parmesão ou grana padano para servir

Coza a massa seguindo as instruções da embalagem.
Enquanto isso, pique a cebola e os alhos.
Leve uma sertã ao lume com um fundo de azeite e cozinhe aí a cebola e os alhos picados até começaram a alourar.
Escorra o tomate seco, parta em pedacinhos e junte à sertã. Deixe a cebola e o alho ganharem alguma cor do tomate e junte as azeitonas.
Quando a massa estiver cozida, escorra-a reservando alguma água da cozedura.
Prove a mistura de tomate seco e azeitonas e retifique o sal, se achar necessário (o tomate e as azeitonas já têm sal) e tempere com um pouco de pimenta preta a acabada de moer. Junte a massa a esta mistura, envolva bem e junte um pouco da água da cozedura. Prove e retifique novamente os temperos se for necessário. Junte as ervas frescas picadas e envolva novamente.
Coloque no prato de servir e salpique com algumas nozes picadas.
Sirva com o queijo parmesão, ou grana padano, ao lado.

*Se usar tomate seco sem estar em azeite, hidrate-o antes de começar a cozinhar: coloque-o numa taça com um pouco de água e um fio de azeite (para amaciar); depois de juntar o tomate escorrido à sertã, pode adicionar também um pouco deste líquido para dar sabor.

Teresa Rebelo é autora do blogue Lume Brando.