Maio de 2015, Festival de Cinema de Cannes. Um grupo de mulheres na casa dos 50 anos foi alegadamente impedido de entrar numa sala onde ia ser projetado o mais recente filme de Todd Haynes, Carol. A razão está a gerar polémica nas redes sociais: segundo consta, deveu-se ao facto de não estarem a usar sapatos de salto alto, tal como escreve o jornal Screen Daily. As mulheres, algumas das quais com condições médicas específicas, estariam, então, a usar sapatos rasos.

O festival está a receber duras críticas dos fãs tendo em conta aquilo que muitos consideram ser um dress code sexista, diz o britânico Guardian. O seu diretor, Thierry Frémaux, já negou que os saltos altos sejam obrigatórios e fala da situação como nada mais do que um rumor: “O rumor que diz que o festival insiste nos saltos altos paras as mulheres na passadeira vermelha não tem fundamento”, escreveu na rede social Twitter.

Foi também durante a conferência de imprensa do filme Sicario que a atriz Emily Blunt foi questionada sobre o assunto, comentando que “Toda a gente devia usar sapatos rasos, para ser honesta. Não devíamos usar sapatos de salto alto”. Blunt argumentou ainda que, caso seja verdade, esta é uma história desapontante considerando “as novas vagas de igualdade [de género]”.

Mas mais vozes se levantaram em protesto como a de Asif Kapadia, realizador do documentário sobre Amy Wnihouse que estreou em Cannes na semana passada. Kapadia escreveu no Twitter que à sua mulher foi igualmente negada a entrada, ainda que temporariamente, num visionamento. Por motivos semelhantes.

A igualdade de género tem sido um tema muito presente nos filmes na 68º edição do festival, sobretudo em Carol, película para a qual foi barrada a entrada de mulheres por alegadamente não estarem com o calçado correto. O filme em questão retrata uma história de amor entre duas mulheres e é baseado no romance de Patricia Highsmith — é protagonizado já pela oscarizada Cate Blanchett.