“Não há dúvida que o calendário eleitoral e o facto de o principal partido da oposição dizer que não é a favor da privatização introduzem limitações à forma como o processo tem sido conduzido”, afirma Miguel Pais do Amaral, numa entrevista publicada esta segunda-feira pelo Jornal de Negócios. O investidor, cuja proposta foi excluída do processo de privatização, critica o Governo por estar a levar a cabo este processo “a correr” e acredita que há uma “forte probabilidade de que o processo não resulte“, sobretudo se o Governo não estiver disposto a “fazer cedências”.

Miguel Pais do Amaral diz que a sua proposta original, não vinculativa, foi apresentada em julho de 2014 pelo consórcio de investidores internacional que lidera, uma proposta que foi feita “a pedido do Governo“. Alguns destes investidores do consórcio não acharam, depois, que fosse “sério” que o Governo dissesse que o processo ia começar em setembro e só ter começado em fevereiro, diz Miguel Pais do Amaral. Depois, em fevereiro, “não tivemos oportunidade de fazer todo o trabalho necessário”.

“Nós corremos, mas não podíamos correr tudo“, diz o empresário português, salientando que o processo teria de ser gerido doutra forma. Assim, com pressa e com pouca disponibilidade aparente para “fazer cedências”, nomeadamente com a garantia estatal de uma parte da dívida da TAP – “entre 200 e 400 milhões de euros” –, o processo “pode não chegar ao fim“. “O comprador não está disposto a passar um cheque sem garantir estabilidade laboral nem sem ter a garantia de que os credores estão de acordo com o plano e que eventualmente o vendedor assume alguma da dívida”, afirma Pais do Amaral, entrevistado pelo Jornal de Negócios.