Durante os anos setenta, dois cardiologistas, Meyer Friedman e Ray Rosenman, decidiram aproveitar a sala de espera do seu consultório para estudar as personalidades dos clientes. Observaram os comportamentos dos pacientes enquanto aguardavam pela consulta para descobrir se existia alguma relação entre a personalidade que demonstravam, o stress e o desenvolvimento de doenças coronárias.

Durante nove anos, reuniram uma amostra com mais de 3 mil homens saudáveis com idades compreendidas entre os 39 e os 59 anos. Fizeram-lhes algumas perguntas sucessivas, como por exemplo:

  1. Sente-se culpado se usar tempo livre para relaxar?
  2. Sente necessidade de vencer para sentir prazer em praticar desportos ou participar em jogos?
  3. Tem o hábito de andar, comer e mexer-se rapidamente?
  4. Tem o hábito de fazer mais que uma tarefa ao mesmo tempo?

Dividiram as pessoas em dois grupos: homens “tipo A” e homens “não-tipo A” –  que mais tarde foram designados por “tipo B”. Segundo os cardiologistas, as pessoas de tipo A eram “mais ambiciosas, competitivas, com maior noção do tempo e apreciadoras da perfeição”. Os outros era mais relaxados e descontraídos.

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No tempo em que durou a investigação, morreram 257 homens. A maior parte deles – 70% da amostra – estava incluída no grupo “tipo A”. Este dado levou Friedman e Rosenman a concluir que as pessoas com as características observadas no tipo A têm maior probabilidade de sentir stress, muito por causa da própria personalidade. E, sendo assim, estão mais susceptíveis a desenvolver doenças coronárias.

Para os dois médicos, a hostilidade, impaciência e espírito demasiado competitivo – que terá uma grande relação com as manifestações hormonais – podem ser fatais.

Claro que a investigação mereceu algumas críticas. Embora o estilo de vida tenha sido levado em conta – tipo de emprego, vícios ou herança genética – a amostra era totalmente composta por homens e a divisão foi muitas vezes considerada “simplista” e redutora.

Ainda assim, o estudo serviu de base para outras pesquisas e o termo “pessoas do tipo A” veio para ficar. Designa aquelas personalidades que não suportam esperas e nunca se sentem satisfeitas. Mas “há mais para ver do que mostra a superfície”, garante a editora da seção de Vida Saudável do The Huffington Post. A jornalista diz que “conhecer uma pessoa do tipo A é adorá-las – inclusive aos seus defeitos”.

 

Faça o teste: descubra se é uma pessoa do tipo A

Quer descobrir se é uma pessoa do tipo A? A CNN reuniu dez aspetos que as pessoas que se incluem nesse grupo querem que se saiba sobre a sua personalidade. E são as seguintes:

Não são impacientes: só eficientes. O psicológico John Schaubroeck, da Universidade de Michingan, explica que as pessoas do tipo A não suportam obstáculos porque eles atrasam o progresso e a concretização de uma missão.

certo?
errado?

Os atrasos agoniam. Esperar é um verdadeiro martírio, porque o tempo é um bem precioso que não deve ser desperdiçado. É que as pessoas do tipo A orientam o dia listando as tarefas que têm em mãos: perder tempo a mais num dos tópicos significa ter menos disponibilidade para os outros.

É tudo para ontem. Não há propriamente uma ordem prioritária entre as tarefas da lista do dia. Todas elas são urgentes, por isso é preciso executá-las de forma eficaz, mas célere. O psicólogo Bernado Tirado diz que as pessoas do tipo A gostam de comunicações “claras, concisas e sucintas”.

Funcionam de acordo com missões. Parecem estar sempre muito ocupados. E estão: as pessoas do tipo A levam as responsabilidades muito a sério e parecem só ter olhos para elas. Os acordos são passaportes para a concretização dessas missões.

Não sabem descansar. Se o tempo não for empregue em algo realmente produtivo, que permita dar um passo em frente, é como atirar um relógio de milhares de euros para o lixo. O relaxamento é necessário, mas tem de ser muito bem doseado para não se transformar em procrastinação.

Andam de mãos dadas com o stress. É como se as pessoas do tipo A tivessem as leis de Murphy estampadas na testa: o pior que pode acontecer vai de facto acontecer e da pior forma possível, na pior hora imaginável e no lugar menos propício do mundo. E é com isso em mente que estes indivíduos vivem.

Têm tiques nervosos. Mexer no cabelo sem parar, roer as unhas, abanar uma perna enquanto pensam ou piscar os olhos demasiadas vezes seguidas. Estes são alguns comportamentos típicos de pessoas do tipo A.

São emocionais. As pessoas do tipo A não são apenas sensíveis ao passar do tempo. Na verdade, são apenas pessoas muito preocupadas. Até demais. São extremamente conscientes e querem tanto que as coisas corram da melhor forma possível que não conseguem deixar de estar tensas.

Não esquecem nada de ânimo leve. Nem os erros dos outros, nem os próprios: se algo corre mal, esse acontecimento vai atormentar a mente da pessoa do tipo A durante tempo indeterminado. Chegam a não conseguir adormecer.

São muito competitivos. As pessoas de tipo A demonstram-se muito exigentes com elas próprias: querem tornar-se no melhor que é possível serem. Querem ser os melhores no que quer que seja e hão de conseguir esse posto. O esforço não é problema.

Se respondeu sim à maioria das perguntas, é um Tipo A. Não, não sabe até que ponto estas características assentam na sua personalidade? Ainda tem dúvidas? A Psychology Today preparou um teste com 73 perguntas simples que demoram 20 minutos a responder e aí terá todas as certezas. Experimente-o.