Marcelo Rebelo de Sousa apontou o dedo ao Governo por falhar os compromissos com o PS aos quais apela, referindo-se à recondução do governador do Banco de Portugal (BdP).

“A forma como decorreu [o processo] é um pouco absurda. Ou não havia lei e então era um facto consumado o Governo escolher sem ouvir o parlamento nem falar com o PS ou há lei e o Governo, que passa a vida a fazer apelos de consensos de regime em Segurança Social, matéria financeira ao PS, e, de repente, é ele próprio a falhar esse consenso de regime desnecessariamente”, disse, à margem uma conferência sobre o novo ciclo económico e político em Portugal, numa universidade privada, em Lisboa.

Para o antigo presidente do PSD, “bastava prorrogar [o mandato de Carlos Costa] até à venda do Novo Banco e dar tempo para haver esse esforço de aproximação e de consenso numa matéria fundamental”.

“[A recondução] é plausível porque PSD e CDS, embora reconhecendo que a supervisão falhou muito, beneficiaram muito no Governo de o governador ter sido um biombo de proteção. Seria incompreensível que, tendo devido tanto ao governador, agora não reciprocassem. É uma verificação de facto, não direi que é um prémio político”, continuou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “se o governador não tem tido o protagonismo que teve, era o Governo que ficava exposto e o Governo preservou-se, pelo menos, aparentemente”.

Na quinta-feira, dia 28 de maio, o Governo anunciou no final do Conselho de Ministros ter decidido enviar à Assembleia da República uma proposta de recondução de Carlos Costa por mais cinco anos nas funções de governador do Banco de Portugal.

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Ao final da tarde, o secretário-geral socialista, António Costa, manifestou-se “profundamente desagradado” com a recondução do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerando-a “um mau sinal” dado pelo Governo, e garantiu que o PS não foi consultado nem ouvido.

Marcelo concorda com PS: procurar consensos sobre Segurança Social “exige tempo”

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa concordou com o PS sobre a impossibilidade de consensos devido à “fase mais aguda de campanha eleitoral”, comentando a recente troca de acusações sobre sustentabilidade da Segurança Social.

“É óbvio que não é em período de debate eleitoral que se deve estar a imaginar fazer um consenso sobre Segurança Social, que exige tempo. Estamos na fase mais aguda da campanha eleitoral – junho, julho. Setembro, depois, é a campanha em termos práticos, mas é nestes meses que se define um pouco o desfecho das eleições”, afirmou Marcelo.

O antigo presidente do PSD sublinhou que há que ter em atenção o “2024 horizonte de sustentabilidade garantido” da Segurança Social e a consequente necessidade de um compromisso entre os principais partidos políticos.

“Toda a gente compreenderá que o PS tem uma posição e o Governo, a coligação tem outra e que, por muito que se apele a consensos de regime, fundamentais na Segurança Social, neste momento, o que tem havido é jogadas eleitorais de um lado e de outro. O que pediríamos, atendendo à ideia de que é bom o consenso de regime, é que parassem as jogadas eleitorais de um lado e de outro a ver se o consenso é possível depois das eleições”, aconselhou.