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Há boas alternativas ao motor de busca da Google. Apresentamos-lhe seis

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Não há dúvidas quanto à popularidade do Google. Mas se o que quer é informação mais técnica, fidedigna ou perdida nos primórdios do ciberespaço, há alternativas melhores.

Pesquisar na internet pode ser um problema, já que muita da informação disponibilizada carece de fontes fidedignas ou tem direitos de autor associados.

Chip Somodevilla/Getty Images

Autor
  • Tiago Palma

Em que ano foi a Batalha de Alcácer-Quibir? Qual é o nome do arquiteto oitocentista italiano que projetou a Torre dos Clérigos? Que cognome tinha o primeiro Rei da Dinastia Brigantina? Em que ano morreu António Egas Moniz, o primeiro — e único — Nobel da Medicina (1949) português? E como é que são apelidados os naturais de Salvaterra de Magos?

Não, não é um questionário do concurso “Quem Quer Ser Milionário”, nem lhe ofereceremos um cheque chorudo se entender por bem desistir a meio, mas, se tem pequenada lá em casa em idade escolar, são tudo questões que poderá ouvir volta e meia.

Há um bom par de anos, resolveria a questão com uma ida às enciclopédias empoeiradas da estante, ou ligando para o avô e a avó que são bons de datas, mas hoje não; hoje googla ou manda googlar. O termo em Portugal é resultado de um anglicismo, e são já poucos os que não fazem uso dele, mas na língua original, a inglesa, o termo ganhou até contornos de verbo transitivo. Até aqui tudo bem. Há uma dúvida, menor, com datas ou com nomes, quem fez e o que fez, lá se encontra uma fonte, acredita-se dela que é credível, e logo se responde que João IV foi “O Restaurador” ou “O Afortunado”, e está a prole satisfeita.

O problema é que nem tudo o que surge no Google ou via Wikipedia — que funciona por meio de crowdsourcing e nem sempre a “crowd” que por lá partilha informação é de se fiar — pode induzir-nos em erro, e nós, por conseguinte, e involuntariamente, vamos induzir em erro mais e mais pessoas. Há alternativas ao motor de busca do Google (e cita-mo-lo por ser profundamente popular, um dos pioneiros, com quase duas décadas, e por indexar um bilião de páginas), sobretudo se quer dar credibilidade a um trabalho académico ou, simplesmente, não quer fazer má figura quando for àquele programa dos milionários na TV.

1) À caça de informação científica

Como em tudo, há que separar o trigo do joio. Se o que quer é informação técnica, como papers académicos, teses de mestrado ou doutoramento, investigações, o mais sensato é procurar em repositórios. No campo das ciências sociais, há estudos de direito, economia, humanidades, no Social Science Research Network, que desde há muitos anos está no topo do Ranking Web of World Repositoires. Se se interessa por ciências naturais (ou exatas), a solução é o Science Research.

ssrn

2) Um “twitteiro” muito pessoal

São publicados diariamente mais de 500 milhões de twitts. Certo, você já segue quem quer, só segue quem quer, e não precisa de ajuda no Twitter para encontrar informação. Mas não estará a contar certamente com algoritmo do Twitter (também o há no Facebook) que lhe alimenta o “feed”, ora aleatoriamente, ora com base nas suas próprias pesquisas passadas, com a informação que considera mais relevante para si, omitindo outra que até lhe poderia interessar. Os algoritmos são “tramados”, mas a ferramenta Topsy — que é paga, mas que na versão básica (e gratuita) é igualmente útil — ajudá-lo-á não só a refinar a procurar, como a buscá-la nos primórdios do Twitter, desde 2006, com base em palavras-chave, nome do utilizador que procura, ou tão simplesmente no tema da informação que pretende.

topsy

3) Livre-se dos direitos de autor

Quando se procura por uma fotografia no Google, e se quer utilizá-la profissionalmente, acresce sempre o problema dos direitos autorais, quer nas fotografias mais recentes, quer, sobretudo, nas mais antigas, cujo autor já foi tantas vezes partilhado e repartilhado que se perdeu no ciberespaço. Mas existe. Para se salvaguardar, utilize o creativecommons.org, que tem uma vastíssima base de dados, não só fotográfica, mas também de vídeos, música e textos, totalmente livres de direitos de autor.

creative commons

4) A invisibilidade (possível) na internet

Sai, limpa o cache e os cookies, mas quando volta, o Google, por via do seu IP, “recorda-se” de tudo quanto por lá buscou, e vicia (o que pode ser útil ou não) os resultados da pesquisa. A alternativa está no duckduckgo.com, que, garante Gabriel Weinberg, que o criou em 2011, elimina, à saída, a sua “pegada digital”.

DuckDuckGo-Search-Results

5) Revolver no passado

Um dos problemas do motor de busca da Google é que, até por necessidade de refinar a procura, e tendo em conta a quantidade diária de informação que é posta a circular na rede, tem que eliminar conteúdo de tempos a tempos. Experimente o Wayback Machine, que guarda mais de 40 mil milhões (!) de páginas, a contar desde 1996, se o que quer é encontrar páginas já extintas ou desaparecidas do Google. A pesquisa pode ser realizada, por exemplo, com recurso ao dia, ao mês ou ao ano da publicação, ou tão somente ao nome de uma página que deseje.

WaybackMachine

6) Fotografias falsas? Não, aqui não

Experimente pesquisar (sem nenhum instinto necrófilo) por “bin laden dead body”. Esta foi uma das pesquisas mais comuns (e virais) no Google em 2011, quando o líder da Al-Qaeda foi abatido pelos Navy SEAL norte-americanos. E sim, vai encontrar fotografias do corpo do defunto… falsas. Se não quer ser enganado por quem tem demasiado tempo livre para se recriar no Photoshop, use a Tin Eye. É uma aplicação gratuita, e que, com recurso a uma tecnologia de reconhecimento digital, não partilha fotografias manipuladas.

TinEye1

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