Transformar dias de trabalho em segundos. É isto que promete a doDOC, a primeira startup portuguesa a receber investimento e a integrar o programa de aceleração da Techstars em Boston, nos Estados Unidos. O processador de texto online que pretende otimizar os processos de pesquisa, escrita, formatação e gestão de documentos profissionais convenceu o responsável Semyon Dukach a integrar a empresa de Coimbra na lista das 13 selecionadas para o programa de aceleração que arrancou a 4 de junho e termina em setembro.

O líder da Techstars Boston esteve em Lisboa em janeiro, no âmbito de uma viagem que fez pela Europa. Andava à procura de startups que fossem o “par perfeito” para o programa de Boston. Ao Observador, disse, na altura, que queria apostar em “pessoas espetaculares” e que os “fundadores “certos podem fazer qualquer coisa”. Cinco meses depois, refere que está muito “impressionado com a qualidade dos projetos” que estão a ser desenvolvidos em Portugal.

“O nosso investimento na doDOC reflete o esforço que temos feito por identificar e apoiar a próxima geração de ‘startups’ de base tecnológica, independentemente da sua localização, adicionando-os aos negócios bem sucedidos e escaláveis que temos no nosso portefólio”, afirma Semyon Dukach.

Carlos Boto, um dos fundadores da doDOC, explicou ao Observador que a tecnologia que desenvolveram trata de todas as questões técnicas associadas à preparação de documentos e que, regra geral, comprometem a produtividade dos indivíduos e das organizações. “Na preparação de um documento, mais de 75% do tempo é despendido em ações técnicas que não se relacionam com a criação de conteúdo”, adianta.

A empresa nasceu em 2014, fruto da experiência pessoal dos fundadores, que depararam com um problema que era transversal a todos os alunos de doutoramento: preparar documentos para publicação científica. Com a doDOC, as empresas podem concentrar-se apenas no conteúdo dos seus documentos, porque a tecnologia utiliza inteligência artificial para importar de forma automática a estrutura do documento.

Criar novos documentos, editar os já existentes, escrever, importar conteúdos, partilhar, colaborar e rever informação. Tudo numa só plataforma, de forma automatizada. Além disso, o doDOC permite acompanhar a totalidade do ciclo de vida dos documentos e dar origem a relatórios de produtividade. A empresa está a entrar no mercado, apostando em empresas farmacêuticas, de biotecnologia, hospitais e universidades.

“O investimento da Techstars é uma validação do enorme potencial do nosso negócio e do valor da tecnologia desenvolvida pela doDOC. Toda a equipa está muito orgulhosa de sermos a primeira ‘startup’ portuguesa a participar no programa da Techstars, que representa uma oportunidade única para o futuro da doDOC. Além do reconhecimento do nosso trabalho é também reflexo do crescimento do ecossistema de empreendedorismo em Portugal, que nos catapultou até este momento”, afirmou Carlos Boto.

Os fundadores Carlos Boto, Paulo Melo e o argentino Federico Cismondi conheceram-se através do programa MIT Portugal, em 2008. A startup só nasceu em fevereiro de 2014, quando participou na competição Arrisca C, com o apoio do programa de aceleração INEO-Start, promovido pelo Instituto Pedro Nunes. Depois, foi uma das dez finalistas do programa de aceleração Lisbon Challenge e recebeu apoio do IAPMEI, através do Passaporte do Empreendedorismo.

O Techstars é um programa de aceleração de empresas tecnológicas que está presente em 18 cidades do mundo e que já fez 413 investimentos em 373 empresas, de acordo com a base de dados CrunchBase. São mais de cinco mil empreendedores, mentores e investidores. É um dos principais programas de aceleração de empresas do mundo. À edição de junho, concorreram 1500 projetos e foram selecionados 13.