Depois de duas horas de reunião entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, François Hollande, o problema grego voltou a ser empurrado com a barriga.
Logo após a reunião, um porta-voz do governo alemão fez chegar à imprensa uma mensagem pouco concreta, mas que indicava a ausência de um acordo:
Concordou-se unanimemente que as negociações entre o governo grego e as instituições (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) terão de continuar com grande intensidade
De resto, Tsipras foi o único dos três líderes a falar à imprensa no local. Em grego, disse que as negociações decorreram num “ambiente muito bom”. Ainda assim, não especificou exatamente o que foi discutido, nem em que ponto é que as negociações estão, acrescentando apenas que “o acordo deve incluir um alívio da dívida para que a Grécia volte a crescer”. Leia-se, renegociação da dívida.
O programa de financiamento grego do lado europeu termina no final deste mês, depois de já ter havido duas extensões.
Mesmo antes da reunião de quarta-feira, a agência de rating Standard & Poor’s (S&P) baixou o rating da Grécia na quarta-feira à noite.
A agência justificou a sua avaliação negativa com a seguinte nota:
“À medida que a sua liquidez se deteriora, a Grécia parece dar prioridade a outras despesas em prejuízo do pagamento da dívida. Na nossa perspetiva, sem uma reviravolta na trajetória do PIB nominal e sem uma reforma profunda da função pública, a dívida da Grécia é insustentável. A nossa avaliação negativa reflete a nossa perspetiva de que ausência de um acordo com os seus credores, a Grécia provavelmente entrará em incumprimento nos próximos 12 meses.”
O rating da Grécia estava em CCC+ e agora passa a estar em CCC. Na escala da S&P, este nível equivale a “lixo”. No seu site oficial, a S&P descreve este patamar da seguinte maneira: “Atualmente vulnerável e dependente de negócios favoráveis e de condições financeiras e económicas para cumprir compromissos financeiros”.
Na altura, a S&P terá dado pouco valor à informação avançada pela Bloomberg, que dizia que Merkel estava disposta a desbloquear um montante de ajuda financeira de 7,2 mil milhões a Atenas, exigindo em troca que o governo grego cumprisse apenas uma das reformas que lhe têm sido pedidas até agora pelos restantes parceiros europeus.
Até agora, o governo grego tem recusado implementar três medidas consideradas essenciais pelos parceiros europeus: a subida do IVA, alterações no sistema de pensões e a aplicação de um plano de privatizações mais ambicioso. Não ficou claro, porém, qual destas medidas é que Merkel e os restantes parceiros europeus exigiriam à Grécia como contrapartida pelos 7,2 mil milhões.
Antes da reunião, a chanceler alemã disse que “quem tem vontade, arranja uma maneira”, em clara alusão à Grécia, adiantando também que o objetivo é manter Atenas na zona euro.