Cerca de 200 pessoas juntaram-se no Largo Camões, em Lisboa, para protestar contra a austeridade na União Europeia e manifestar apoio à Grécia, que tenta há cinco meses chegar a um acordo com os seus credores.

“É um grupo de cidadãos que se juntou das mais diversas sensibilidades políticas para apoiar o Governo grego, para apoiar, sobretudo, o direito do povo grego de escolher”, afirmou o historiador e antigo deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas.

Segundo Fernando Rosas, que falava como porta-voz do grupo de cidadãos que organizou o protesto, o povo grego recusou a política de austeridade e deu um mandato a um Governo eleito em eleições livres para “fazer uma política alternativa”.

“As forças dominantes na Europa, sob condução alemã, estão a tentar impedir, cercar, garrotear o Governo grego”, criticou.

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No Largo Camões, em Lisboa, os manifestantes empunhavam bandeiras gregas e cartazes, onde se podiam ler críticas à austeridade e às políticas europeias.

“Neste momento, estamos numa situação tão crítica para o conjunto da União Europeia e não só para a Grécia, que era preciso que as vozes das pessoas comuns chegassem a Bruxelas e fossem ouvidas”, salientou o economista José Castro Caldas, que também participou no protesto.

Para o economista, trata-se da “questão da irracionalidade” como a questão grega está a ser abordada pelas instituições europeias.

“Caso a situação evolua de forma negativa, Portugal é o país que tem a situação mais vulnerável e não há cofres cheios que durem muito em caso de um acontecimento catastrófico na zona euro”, salientou.

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, também presente no protesto, defendeu que é preciso “insistir que não aceitamos que a Europa seja a da chantagem e não a da democracia”.

“A Grécia não está a lutar por si, está a lutar por toda a Europa”, sublinhou Catarina Martins.

Presente no protesto esteve também a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, que considerou que no protesto se lutou pela Grécia, mas também pela possibilidade de no futuro se ter um futuro diferente do atual.

O protesto terminou com palavras de ordem contra a austeridade, incluindo “Mudança na Europa, Stop à Austeridade” ou “Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal, a nossa luta é internacional”.

A Grécia tenta há cinco meses negociar com os credores reformas a adotar pelo país, sem as quais os parceiros europeus e os credores não libertam a última parcela do programa de resgate de 7,2 mil milhões de euros.

Se não receber esse dinheiro, ou pelo menos parte dele, a Grécia, que tem de pagar, até 30 de junho, 1,6 mil milhões de euros ao FMI, ficará muito próxima do incumprimento e aumenta o risco de uma saída da zona euro.