Os autarcas de Évora, Elvas e de Badajoz (Espanha) defenderam hoje a ligação ferroviária Madrid/Lisboa com passagem pelo Alentejo e pela Estremadura espanhola, criticando o eventual abandono desta travessia, o que seria um “decisivo revés” para as regiões.

O abandono da travessia de ambas as regiões “representaria um decisivo revés para os interesses” do Alentejo e da Estremadura espanhola e “significaria um recuo irrecuperável em relação ao que tem sido anunciado, nas duas últimas décadas, pelos governos dos dois países”, referem os presidentes dos municípios de Évora e de Elvas e o alcaide de Badajoz, num comunicado conjunto enviado à agência Lusa.

Os presidentes das câmaras de Évora, Carlos Pinto de Sá, e de Elvas, Nuno Mocinha, e o alcaide de Badajoz, Francisco Javier Fragoso, manifestam “estranheza” pelas notícias veiculadas, nos últimos dias, por meios de comunicação social de Portugal e Espanha, segundo as quais “a ligação ferroviária entre Madrid e Lisboa possa ter alternativa em relação ao corredor Alentejo e Estremadura espanhola”.

De acordo com os autarcas, que citam a edição do passado sábado do semanário Expresso, os presidentes das empresas CP – Comboios de Portugal e Renfe – Red Nacional de Ferrocarriles Españoles “assumiram o compromisso de reduzir o tempo da ligação ferroviária de passageiros entre Lisboa e Madrid das atuais dez horas e 15 minutos para menos de cinco horas”.

Por outro lado, observam os autarcas, o diário espanhol Hoy, na sua edição on-line de quarta-feira, assegurava que “o futuro comboio entre Lisboa e Madrid deixará de passar pela Estremadura espanhola”.

A conjugação das duas notícias “surpreende” os autarcas, porque “as anunciadas melhorias da Linha da Beira Alta, em Portugal, e a eletrificação entre Fuentes de Oñoro e Salamanca, em Espanha, que assegurariam a referida redução do tempo de viagem, podem significar o abandono de, no futuro, concretizar por Badajoz, Elvas e Évora a ligação ferroviária de passageiros e mercadorias entre Madrid e Lisboa, com ligação aos portos de Setúbal e Sines”.

Neste enquadramento, os presidentes dos municípios de Évora, Elvas e de Badajoz dizem que “esperam” uma “clarificação” da situação por parte das administrações centrais de Portugal e Espanha para “poderem continuar a acreditar que um investimento tão importante e estruturante continua na primeira linha das prioridades dos governos ibéricos, no que respeita ao transporte de passageiros e mercadorias entre os dois países”.