Mais dores de cabeça para os republicanos nos Estados Unidos e com a mesma origem: Donald Trump. Numa entrevista dada ao The Hill, o candidato à Presidência dos Estados Unidos, que lidera as sondagens nas primárias republicanas, admite uma candidatura independente se não ganhar a nomeação, fazendo ressurgir os fantasmas da derrota de George Bush em 1992.

Santo é o dia em que Donald Trump não faz um comentário impróprio ou mesmo ofensivo e que deixa de cabelos em pé os responsáveis republicanos. Já disse que os emigrantes que passavam a fronteira do México para os Estados Unidos eram violadores e traficantes de droga, mais recentemente afirmou que o senador republicano John McCain não era um herói de guerra porque prefere pessoas que não foram capturadas.

A polémica sobre as declarações sobre o senador John McCain, que foi torturado e preso durante cinco anos na guerra do Vietname (na qual Trump não serviu) caíram de tal forma que o Comité Nacional Republicano (RNC, sigla em inglês) veio repudiar as afirmações e condenar Donald Trump. A versão mais parecida a uma desculpa do candidato republicano foi dizer que McCain fala muito mas não fez nada pelos veteranos.

Depois desta intensa polémica surgiram mais sondagens a dar vantagem a ‘The Donald’, como o próprio gosta que lhe chamem, entre os 16 candidatos às primárias republicanas, que tem nomes de peso como Jeb Bush, Chris Christie, Ted Cruz, Rick Perry ou Mark Rubio.

‘The Donald’ parece decidido a dar dores de cabeça aos republicanos e não termina a semana sem mais uma tirada: se não ganhar a nomeação, pode avançar como candidato independente.

“O RNC não tem sido muito solidário. Foram sempre apoiantes quando eu era doador. (…)”, disse Trump. Questionado diretamente se admite avançar de forma independente caso não ganhe a nomeação, ‘The Donald’ é perentório: “Absolutamente, se não forem justos, isso será um fator. (…) Tenho de ver como estou a ser tratado pelos republicanos”.

Para Donald Trump, o problema é ser empresário e não parte da classe política. “Não sou parte do gangue. Não estou no grupo onde o grupo faz tudo o que é suposto fazer. Eu quero fazer o que é melhor para o país, não o que é bom para certos grupos de interesses que contribuem, não o que é bom para lobistas e doadores”.

As declarações de Trump já deixaram os responsáveis republicanos de cabelos em pé. Sondagens feitas sobre a possibilidade de Donald Trump avançar como independente, usando Jeb Bush como candidato republicano e Hillary Clinton como a candidata democrata, dão a vitória por uma larga margem a Hillary Clinton, com Trump a conseguir recolher uma boa parte dos votos à direita, retirando votos ao outro candidato republicano.

O receio é que Donald Trump reedite as eleições de 1992, quando Bill Clinton se tornou presidente pela primeira vez. Nessa eleição, George Bush (pai) foi a votos para tentar a reeleição, mas a entrada na corrida de um independente, o empresário do Texas Ross Perot, acabou por abalar a direita.

Ross Perot chegou a estar à frente em algumas sondagens, mas um escândalo fez com que desistisse. Apesar de ter voltado à corrida meses mais tarde, nunca recuperou a popularidade. Ainda assim conseguiu quase 20% dos votos, votos que os republicanos acreditam terem vindo de parte da direita que não se revia em George Bush, que acabaria por perder a eleição para Bill Clinton.