100% português

Cadernos Molesquê? Isto é Fine & Candy (e é português)

1.555

Fazem-se no Porto mas já chegaram ao Harrods e ao Printemps. Com uma nova loja acabada de inaugurar na Invicta, a Fine & Candy leva à letra o seu nome: está de boa saúde, e nós fomos perceber porquê.

É Artur Miranda quem o diz: “Eu não quero ser Moleskine, quero ser Fine & Candy.” Para uma marca de cadernos criada em 2009, pode parecer uma comparação entre a Rolls Royce e quatro rodas com um capô. Mas isso é até olhar para os blocos com o emblema F & C, as folhas de guarda cartonadas, as bordas pintadas de dourado e as edições limitadas ilustradas à mão por artistas. Ou até dizer que os cadernos produzidos no norte de Portugal já chegaram a pontos de venda conceituados como o Harrods, em Londres, e o Printemps, em Paris. Tudo motivos para ouvir o diretor artístico e perguntar: “Molesquê?”

Ambição não falta à Fine & Candy, e isso vê-se em toda a estratégia da marca que começou por nascer dentro da agência de comunicação portuense We Supply, a partir de uma ideia de Mariana Tomé Ribeiro, e em 2012 foi adquirida pela Oitoemponto.

“Nós somos grandes impulsionadores do 100% português, do que é feito à mão, mas não queremos fazer só artesanato, no sentido dos bonequinhos”, diz Artur Miranda, “CEO & more” do grupo, como assina nos e-mails. “Queremos fazer peças com qualidade e um ar internacional, digamos assim. Não acredito que se vá vender um produto só porque é 100% português, ele tem de ser competitivo.”

Handle it bang bang

Uma das coleções limitadas, “Handle it”, pintada à mão por Rita Roque. © Fine & Candy

O “ar internacional” passa por aproveitar as melhores técnicas na área da encadernação, razão pela qual a marca trabalha com a Imprensa Nacional, “que tem um espólio de cadernos e blocos com mais de 100 anos”, e é produzida em pequenas fábricas e gráficas na zona norte do país — Aveiro, Porto e Maia –, onde “havia um grande historial de papel mas muita coisa fechou”. Passa também por coleções de edição limitada e “algumas colaborações com pessoas que não pertencem necessariamente ao universo dos cadernos mas podem dar a conhecer a marca”, como diz Artur Miranda. Exemplos disso são a coleção Handle it, em que a artista Rita Roque pintou uma série de desenhos à mão diretamente nos cadernos em pele, os conjuntos de lápis feitos em parceria com a Viarco, o pisa-papéis “It’s bananas!”, onde uma casca de banana em cerâmica pintada à mão garante que as folhas espalhadas na secretária são à prova de correntes de ar, ou a parceria com a ilustradora Hala Salem Achillas, que deverá dar os primeiros frutos em setembro.

Fine & Candy anotherdime 2

O pisa-papéis “It’s Bananas!” foi feito com os ateliers da cooperativa Árvore. © Fine & Candy

O papel está em desuso mas nós queremos que esteja em uso”, diz o CEO. “Durante séculos, o ser humano aprendeu a gerir a mão para desenhar e escrever bem, por isso faz-nos imensa impressão estar-se a esquecer essa parte. O papel é um meio de expressão, um meio de poder riscar. Como passamos tanto tempo em frente ao ecrã do computador, estamos a deixar de poder riscar, e para nós rasurar é fundamental, é andar à volta das ideias. Nesse sentido, o caderno acaba por ser muito pessoal.”

Para sublinhar ainda mais essa ideia, a marca tem um serviço de personalização que permite transformar cadernos, cartões ou papel de carta, e que na loja recentemente inaugurada na Rua de Tanger, no Porto, fez com que se deixasse o atelier à vista dos clientes. “É só sentar-se ao lado do designer e pode fazer logo umas mudanças”, diz Artur, para quem o tal “ar internacional” também passa por este “mini luxo”. “Quando falamos da Fine & Candy estamos a falar de um luxo abordável. Abrimos um bloco e ele é artesanal, nota-se. Os cadernos são todos muito parecidos mas nenhum é igual.”

Fine & Candy conjuntoshop

Um dos conjuntos de lápis de grafite feito em parceria com a Viarco. © Fine & Candy

Com preços que começam nos 16 euros e vão até aos 99, no caso das edições limitadas, os cadernos já chegaram a vários pontos do mundo, do Canadá à Alemanha, devendo em breve estar à venda também na Farfetch, loja que agrega as melhores marcas e designers de moda. “Estamos em contacto com várias plataformas de comércio online e a tentar reforçar a nossa presença em pontos ligados à moda como a Colette”, diz o CEO, assumindo como no processo de internacionalização foi fundamental trabalhar com um gabinete de imprensa francês que conseguiu colocar a marca em várias revistas e jornais, do Herald Tribune ao The Guardian.

“Primeiro tentámos que a marca fosse conhecida e depois que fossem as pessoas a pedi-la, a perguntar onde se comprava”, diz Artur Miranda. “Agora já temos uma pessoa unicamente dedicada às vendas”, conclui. E também ela tem direito a uma assinatura criativa no e-mail: “the happy salesman“.

Nome: Fine & Candy
Data: 2009
Pontos de venda: Loja oficial na Rua de Tanger, 1356 (Porto), restante lista completa aqui.
Preços: Cadernos de 16€ (blocos) a 99€ (edições limitadas)

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: adferreira@observador.pt
Conflitos

Mediterrâneo

Luis Teixeira

Huntington defendeu, como Braudel, que a realidade de longa duração das civilizações se sobrepõe a outras realidades, incluindo os Estados-nação em que se supôs que a nova ordem mundial iria assentar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)