A Ongoing reduziu a sua participação na antiga PT SGPS, para 3,46% do capital, informa a Pharol em comunicado. A informação prestada confirma a indicação já antecipada pelo Observador segundo a qual a posição acionista do grupo liderado por Nuno Vasconcellos teria baixado para cerca de 3,5% na sequência de duas operações ocorridas na semana passada.

A primeira correspondeu à alienação de 37,8 milhões de ações, em resultado da execução de um penhor sobre as ações da Pharol que tinham sido dadas como garantia de um empréstimo contraído junto do BCP. A segunda redução é uma consequência da não reaquisição, pela Ongoing, de 22.560.000 ações da ex-PT SGPS, que eram objeto de um swap , cuja vigência terminou a 12 de agosto.

“Devido a estes dois eventos, e tal como acima referido, a participação qualificada imputável à Ongoing, de acordo com o previsto no artigo 20.º do CVM, passou a ser constituída por 29.735.000 ações ordinárias, representativas de aproximadamente 3,46% do capital social da sociedade e dos correspondentes direitos de voto”, acrescenta o comunicado.

As duas operações realizaram-se na quarta-feira passada, dia em que as ações da Pharol baterem no mínimo, mas a Ongoing só comunicou a redução da participação hoje, último dia do prazo para informar o mercado. Na sexta-feira à noite, o BCP divulgou ter reforçado a sua participação na Pharol para 6,2% depois de ter executado um penhor sobre 37.804.969 detidas por um acionista na antiga PT SGPS. O valor de mercado destas ações é de cerca de 10 milhões de euros.

Apesar de até agora lhe ter sido imputada uma participação de 10% na Pharol, a Ongoing já votou com uma posição inferior nas últimas assembleias gerais, por via desta operação de swap realizada sobre 22,5 milhões de ações que correspondem a 2,5% do capital detido na antiga PT SGPS. Esta posição passou para o Novo Banco que controla cerca de 12,6% do capital da Pharol.

A redução da posição acionista na Pharol resulta das dificuldades financeiras da Ongoing que terá 230 milhões de euros de dívida só ao BCP. Segundo o Jornal de Negócios, o banco já terá reconhecido as imparidades (perdas) neste crédito nas contas do primeiro semestre de 2015.

O BCP e o Novo Banco são os maiores credores do grupo. Para além da execução de ações dadas como garantia de empréstimos, a Ongoing também colocou à venda o Diário Económico, segundo notícia avançada pelo Expresso. A empresa tem ainda vários negócios no Brasil na área dos media e da Internet.

O BCP passou a ser um dos maiores acionistas da antiga PT SGPS, por via das ações que tinham sido dadas como garantia de empréstimos concedidos a acionistas da operadora. Antes da Ongoing, o banco tinha ficado com parte das ações de Joaquim Oliveira, que saiu do capital da Pharol depois de um acordo com a banca sobre a divida. O BCP poderá vir a indicar um representante para o conselho de administração da Pharol.

A Pharol, cujos principais ativos são a participação acionista na Oi e o empréstimo à insolvente Rioforte, tem sofrido um ciclo de fortes desvalorizações em bolsa. O seu presidente, Luís Palha da Silva, já revelou a intenção de lançar um plano de compra de ações próprias. Mas é do Brasil e da operadora brasileira Oi que terão de vir as boas notícias, para inverter o ciclo.

Atualizado com o comunicado da Pharol sobre participação da Ongoing