A coordenadora do Bloco de Esquerda acusa Passos Coelho e Paulo Portas de voltarem atrás, desfazendo um acordo que estava fechado sobre os debates eleitorais nas televisões. Numa entrevista dada esta sexta-feira à tarde na SIC Notícias, Catarina Martins considera que a coligação está com “medo de debater com todos os líderes”.

Na sequência do anúncio da coligação Portugal à Frente (PAF, formada por PSD e CDS), de que não irá participar no debate conjunto de 22 de setembro, culpando PS e PCP de boicotarem discussão com todos, Catarina Martins disse ter um email datado de 5 de agosto, enviado pelas televisões, que dava por fechado um acordo entre as televisões e os partidos. O email, ao qual o Observador teve acesso, fecha um debate a quatro, entre coligação, PS, CDU e BE – e, portanto, sem Paulo Portas.

“Todos os partidos na reunião de 5 de agosto acordaram neste debate. Depois, a coligação de direita começou a arranjar desculpas para não o fazer”, acusa Catarina Martins, que lembra que o acordo está escrito. “O que estava por acordar eram os frente-a-frente nos canais de notícias. E aí o BE foi o único partido que aceitou debater com Paulo Portas”. Passos Coelho participará nos frente-a-frente com António Costa e Paulo Portas debaterá com a esquerda à esquerda do PS. Antes do período de campanha, no entanto, o líder do PSD terá outro debate com Catarina Martins, do BE, que não se opôs à realização de debates televisivos com todos os líderes.

Para a coordenadora do Bloco, “PSD e CDS estão agora a desdizer aquilo que estava acordado”. “Julgo que a única conclusão é política. É medo do debate, medo do confronto, medo de mostrarem ao que vêm”, diz.

No entanto, o PSD nega esse acordo. Num comunicado enviado à imprensa no dia 4 de agosto, os sociais-democratas assumiam o debate de dia 9 nas televisões e de dia 17 nas rádios. “Deu igualmente assentimento ao debate com todos os partidos de assento parlamentar dia 22, salvaguardando a necessidade de se resolver com o CDS, que não estava presente na reunião, a sua participação no mesmo”, podia ler-se.

“Assim, só por precipitação ou falta de atenção, se poderá considerar que a reunião de hoje concluiu pela não participação do CDS nos frente a frente e no debate de dia 22”, dizia o PSD no dia 4 de agosto.

As negociações em torno dos debates tem tido lugar nos últimos meses com os partidos a discutirem se Paulo Portas deve ou não fazer parte de debates a dois, tendo em conta que o CDS vai concorrer em coligação com o PSD – o mesmo que acontece com Os Verdes em coligação com o PCP. Perante as dificuldades nas conversas entre os diferentes líderes, a coligação decidiu lançar esta sexta-feira uma decisão final e no comunicado dizem que não vão estar no debate conjunto e lançam as culpas ao PCP e ao PS.

Artigo atualizado às 20:35 com o desmentido do PSD.