O autor dos disparos que no sábado à tarde matou três pessoas na Quinta do Conde, Sesimbra, continua hospitalizado com ferimentos não muito graves e está “estável”. Segundo confirmou o Observador junto de fonte do Hospital S. Bernardo, de Setúbal, o homem, que se terá tentado suicidar depois de ter morto com tiros de caçadeira um agente um GNR, um agente da PSP e o filho deste, deverá permanecer hospitalizado pelo menos durante o dia de hoje. O caso segue para a Polícia Judiciária, que para já, se recusa a prestar mais informações. O homem deverá ser interrogado assim que sair do hospital.

Tudo começou por causa de um cão, um rotweiller que, segundo testemunhos de moradores da Rua Alexandre Herculano, na Quinta do Conde, estava velho e nunca tinha feito mal a ninguém. Fazia barulho, isso sim. O dono, António José Pereira, 52 anos, era agente da PSP destacado como motorista no gabinete do primeiro-ministro. Era também vizinho de Rogério, 77 anos, empreiteiro de profissão e caçador nas horas vagas. A desavença já era antiga, dizem os vizinhos em relatos feitos ao Diário de Notícias e ao Público, e Rogério já teria mesmo “ameaçado muitas vezes o vizinho dizendo que o matava se apanhasse o cão na rua”. Mas neste sábado à tarde, quando cão e dono se encontravam na rua, ninguém terá ouvido discussões.

Nada fazia prever, por isso, o que se viria a passar nos minutos seguintes, perto das 17 horas. António Pereira estava, à civil, junto do seu automóvel, na rua onde morava, quando foi atingido por um tiro de caçadeira. Caiu imediatamente ao chão, e morreu imediatamente. Diogo Pereira, o filho de 23 anos que o acompanhava, segundo o Correio da Manhã, foi em seu auxílio quando foi também atingido por novos tiros da mesma caçadeira.

Foi a partir de casa, da janela que ficava de frente para a zona onde estava o carro das vítimas, que Rogério disparou. Os vizinhos, que ficaram de alerta quando ouviram os “cinco tiros” e que chamaram a GNR quando viram os corpos estendidos, dizem mesmo que ao início não sabiam de onde vinham os disparos.

A GNR do Comando Territorial de Setúbal respondeu rápido e chegou ao local poucos minutos depois dos telefonemas. E foi aí que a tragédia ganhou novas proporções. Segundo confirmou ao Observador o tenente-coronel Jorge Goulão, oficial de relações públicas, mal chegou ao local, a patrulha da GNR estabeleceu um perímetro de segurança, chamou o INEM, e, depois, um dos guardas, Nuno Anes, de 25 anos, aproximou-se da vítima ainda com vida. Estaria ajoelhado junto do filho do agente da PSP, de costas para a janela, quando foi atingido por um tiro de caçadeira na cabeça. Morreu também de imediato.

O jovem de 23 anos ainda foi assistido pelo INEM e transportado para o Hospital S. Bernardo, em Setúbal, mas acabaria por não resistir aos ferimentos, tendo morrido ao início da noite.

Depois dos disparos que mataram três pessoas, o suspeito barricou-se dentro de casa e, quando a GNR entrou para o deter, percebeu que tinha havido uma tentativa de suicídio. O homem foi então transportado para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, onde permanece internado. Segundo fonte do hospital ao Observador, o homem está “estável” mas deverá permanecer hospitalizado pelo menos durante o dia de hoje.

O caso deverá agora seguir os seus trâmites normais, estando a ser investigado pela Polícia Judiciária, que, para já, recusou-se a prestar declarações ao Observador. Assim que abandonar o hospital, será de imediato interrogado, no primeiro interrogatório judicial para apurar os acontecimentos.

Entretanto, a ministra da Administração Interna “lamentou profundamente”, numa nota enviada no sábado à noite, a morte dois dois elementos das forças de segurança, um militar da GNR e um agente da PSP. Num comunicado enviado à agência Lusa, Anabela Rodrigues enviou “sentidas condolências” às famílias das vítimas, “bem como a todo o efetivo da GNR e da PSP”, lamentando também a morte de uma terceira pessoa nos mesmos incidentes.