Os ministros do Interior de França, Alemanha e Reino Unido apelaram este domingo para a necessidade de realizar uma reunião urgente de responsáveis do Interior e da Justiça da União Europeia “nas próximas semanas” face à crise dos refugiados e dos migrantes nas diferentes fronteiras da União Europeia.

Bernard Cazeneuve, Thomas de Maiziere e Theresa May “pediram à presidência luxemburguesa da União Europeia a realização de um primeiro conselho de Justiça e Negócios Estrangeiros nas próximas semanas para preparar eficazmente as decisões da reunião de 08 de outubro, e avançar com propostas concretas”, indica um comunicado publicado um dia depois de um encontro em Paris de nove países europeus sobre a segurança nos transportes. Esta reunião aconteceu na sequência do ataque terrorista do passado dia 21 em Tahlys, na França, no comboio que fazia a ligação entre Amesterdão e Paris. Os responsáveis dos nove países encontraram-se para debaterem a segurança nos transportes e a necessidade de tomarem mais medidas face à ameaça jihadista. Contudo, foram mais longe e acertaram também a necessidade de um novo encontro para debater outro assunto: a crise dos refugiados e dos migrantes.

Já este domingo de manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, classificou de “escandalosa” a atitude de certos países do leste da Europa perante a crise dos refugiados, a começar pela Hungria.

A Comissão Europeia quer distribuir os requerentes de asilo pelos vários países europeus para aliviar os países que estão a servir de entrada dos refugiados e migrantes na Europa. No entanto, esta repartição, numa base voluntária, está a ser dificultada pela falta de vontade de alguns países, incluindo a Hungria, Áustria, Eslováquia e Eslovénia.

A Hungria, país que serve de porta de entrada para os migrantes e refugiados que pretendem chegar à Europa ocidental, ergueu uma barreira de arame farpado ao longo dos 175 quilómetros da sua fronteira com a Sérvia, atualmente vigiada por cerca de mil polícias, aos quais irão juntar-se mais dois mil a partir de 01 de setembro. A conclusão do muro de arame farpado foi concluída este fim de semana.

Também hoje, o primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi, afirmou que a União Europeia tem de “deixar de comover-se e começar a mover-se” para encontrar uma solução.

Numa entrevista publicada no jornal “Corriere Della sera”, Renzo criticou o facto de “as primeiras medidas” terem chegado após a cimeira extraordinária de abril, na sequência da tragédia no Canal da Sicília, na qual centenas de imigrantes morreram afogados após o naufrágio da barcaça em que viajavam.

“As imagens dramáticas destas crianças asfixiadas no camião e assassinadas no porão das embarcações dizem-nos que a Europa deve procurar uma estratégia”, salientou o primeiro-ministro italiano, que pediu “a internacionalização desta crise”, pois não é só um problema de Itália ou da Grécia.

Num artigo publicado este domingo no “The Sunday Times” a ministra do Interior britânica, Theresa May, considerou, por seu turno, que só os cidadãos da União Europeia que tenham uma oferta de trabalho deveriam entrar no Reino Unido, como forma de controlar o fluxo de entrada.

Para a responsável britânica, a ausência de fronteiras na UE é a causa da atual crise migratória e dos refugiados no bloco europeu.

Segundo Theresa May, a crise migratória tem vindo a intensificar-se desde o início do verão junto às zonas costeiras do sul da Europa, onde milhares de migrantes arriscam a vida para conseguir uma solução melhor deveria ser uma chamada de atenção para os líderes europeus. Contudo esta situação é apenas parte do problema uma vez que se intensificou a entrada de refugiados da Síria juntos a países do leste.