Se achava que as “plásticas” eram só para as pessoas do mundo da moda, cinema ou televisão, saiba que 20 milhões de intervenções foram realizadas, em todo o mundo, de acordo com os dados anuais da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Dessas 20, quase cinco milhões correspondem à toxina botulínica (o famoso botox) e mais de dois milhões correspondem aos preenchimentos de ácido hialurónico — as duas ocupam o primeiro e o segundo lugar das intervenções mais feitas no mundo. O terceiro lugar é ocupado pela cirurgia da pálpebra (famosa na Coreia do Sul, para aumentar os olhos), o quarto pelas lipoaspirações e o quinto pelos aumentos mamários. E porque não existem sete milhões de pessoas famosas no mundo, isso significa que o botox  e os preenchimentos estão a chegar ao consumidor comum. Vai daí, a pergunta que se impõe é: será que continuam a ser o bicho papão da cosmética?

Provavelmente, hoje em dia, é difícil lembrarmo-nos de um tempo em que as pessoas na televisão usavam, com orgulho, os seus rostos virgens de intervenções. E embora alguns casos mediáticos nos continuem a lembrar o lado negativo destas intervenções — como o de Lindsay Lohan ou, recentemente, o de Kylie Jenner (que tem apenas 18 anos) –, o botox e os preenchimentos tornaram-se as intervenções mais populares em todo o mundo graças à facilidade com que se conseguem resolver pequenas particularidades e rejuvenescer instantaneamente. Se é tudo mau? Não. E é por isso que, com moderação, podem ter mais prós que contras. Se ainda acredita que o botox é só para esticar a cara, este artigo é para si.

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Botox e preenchimentos: as diferenças

Para perceber as diferenças entre as duas intervenções, falámos com Carla Ferreira, diretora-geral da clínica MyMoment, em Lisboa, que nos explicou que o botox é usado há 30 anos em tratamentos, como os espasmos involuntários nos olhos e, desde 2002, na estética, para rugas (e não só). O que é que o botox vai fazer? Paralisar ou diminuir a força muscular, o que faz com que se evite “partir” a pele, criando as rugas. É principalmente usado nas zonas que mexemos involuntariamente, como a zona superior do rosto, na testa, e junto aos olhos.

Por outro lado, os preenchimentos atuam de forma completamente distinta. É introduzido um gel (naturalmente presente no organismo e absorvível pelo corpo) nas zonas onde temos sulcos (rugas e linhas) ou onde desejamos aumentar volume. O bigode de chinês ou o código de barras são gírias conhecidas, respetivamente, para os sulcos naso-genianos (aquelas rugas verticais nos cantos da boca) e as rugas por cima dos lábios que, ao serem preenchidas, desaparecem. É também usado para dar volume às maçãs do rosto, aos lábios, entre outras aplicações.

Em Portugal, Carla Ferreira diz que há uma estimativa de 20 mil intervenções por ano. Parece pouco, é verdade. Mas os dados de 2014 são astronómicos em países como França (160 mil), Alemanha (230 mil), México (250 mil), Coreia do Sul (390 mil), Brasil (530 mil) ou Estados Unidos (mais de um milhão). E, quando bem feitas, tornam-se praticamente imperceptíveis porque os resultados são naturais. Olhando à nossa volta, é provável que uma grande percentagem de pessoas tenha “qualquer coisa” no rosto sem que consigamos de facto reparar nisso. E cada vez mais mulheres falam abertamente sobre as intervenções que fizeram. Daí que não faz sentido continuarem a ser o bicho-papão da cosmética ou o patinho (ironicamente) feio dos tratamentos de beleza quando vão muito mais longe do que esticar a pele ou “apagar” rugas.

Além das rugas, ajudam a aliviar desordens estéticas

Para quem usou aparelhos nos dentes tardiamente (já depois dos 20 anos), os sulcos naso-genianos não são propriamente estranhos. A perda de volume ao redor da boca (não aparece só em quem usa aparelhos mas é comum) faz com que as rugas se tornem mais profundas nessa zona em idade precoce. Os preenchimentos vão resolver este problema de forma simples, ao preencher os sulcos de forma natural. Por outro lado, o sorriso gengival é algo comum e representa uma desordem estética que pode ser constrangedora e prejudicial à auto-estima. Falamos do problema de gengiva superior demasiado exposta quando a pessoa sorri. Uma injecção de botox vai bloquear os músculos responsáveis pela elevação do lábio superior, aliviando a expressão e a assimetria. Em resultado, quando a pessoa sorri, o lábio já não sobe de forma exagerada e fica um resultado completamente natural.

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Imagens cedidas pela clínica MyMoment

Prós e contras

Há várias “desordens” estéticas que podem ser aliviadas: lábios demasiado finos, perda de volume, sorriso gengival, sulcos demasiado profundos, retardar o aspeto das rugas, entre outras.
O botox tem ação preventiva ao paralisar vícios de expressão — por exemplo, pessoas que, ao falar, franzem demasiado a testa. O botox vai prevenir o surgimento de novas rugas e estabilizar as que já estão visíveis.
Ambos são procedimentos rápidos, fáceis de fazer e totalmente indolores.
Quando realizados sem exagero, e por médicos qualificados, tratam apenas os grupos musculares que produzem mais rugas e a expressão do rosto não é afetada.
Em ambos os casos, a sua duração é temporária e precisa de novas aplicações, normalmente, ao fim de seis a nove meses.
Quando as doses de aplicação são exageradas, ou com curtos intervalos de tempo, podem levar à perda de naturalidade e da expressão (o que acontece com a maioria dos exemplos mediáticos que conhecemos pelo aspeto rígido do rosto).
Os preenchimentos em exagero envelhecem mais do que rejuvenescem (como o caso de Lindsay Lohan e Kylie Jenner).

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