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Quando António Costa subiu ao palco os resultados ainda não estavam fechados. Estava a perder por cinco pontos e a coligação PSD/CDS longe da maioria absoluta. E foi por isso que o líder socialista se agarrou ao resultado menos mau para dizer que não se demite da liderança do partido e dizer ao mesmo tempo que não contribui para “uma maioria negativa no Parlamento”. Resposta dada à esquerda. E à direita? O líder socialista diz apenas que o “ónus” de criar um governo estável está nas mãos de Passos Coelho e Paulo Portas mas que “ninguém conte com o PS para viabilizar as políticas contrárias” às do partido.

Nas respostas aos jornalistas, António Costa garantiu que não se juntará ao PCP e ao BE para impedir o Governo de Passos Coelho de tomar posse. Disse Costa que o PS só faz “moções de censura construtivas. Não inviabilizaremos um Governo sem termos um governo para viabilizar. Ninguém conte connosco para sermos só uma maioria do contra sem condições de formar uma alternativa”. 

Já antes tinha chutado para o PSD e CDS o “ónus” da criação de condições para governar.

“A perda da maioria pela coligação constitui um novo quadro político fruto da expressiva vontade de mudança que constitui o PSD e CDS no ónus de criarem condições de governabilidade parlamentar. Há um novo quadro, PSD e CDS não podem julgar que pode continuar a governar como se nada tivesse acontecido”, disse.

Mas isso não significa que o líder do PS esteja disponível para coligações com PSD/CDS. “O PS assume a plena responsabilidade de garantir que a vontade dos portugueses não se perca na ingovernabilidade, mas também não se perca no vazio ou alheamento”, defendeu.

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Nos bastidores, os socialistas próximos de Costa iam sublinhando que o líder não colocou de fora das possibilidades a rejeição do programa de Governo. E iam repescando uma velha proposta de António Vitorino que esteve em análise numa revisão constitucional de fazer acompanhar cada moção de censura com uma proposta de governo alternativo.

Uma das primeiras questões em cima da mesa será a aprovação do Orçamento do Estado. Costa não quis dizer o que vai fazer quando PSD e CDS apresentarem o documento até porque, lembrou, ainda muito vai acontecer até lá. “Infelizmente essa pergunta é extemporânea. Há outras perguntas que se vão colocar até chegar ao momento do Orçamento”. Costa tinha dito em declarações ao Expresso que chumbaria um Orçamento da coligação, mas entretanto neste discurso da noite eleitoral preferiu não se pronunciar sobre o assunto. É que antes da aprovação do Orçamento do Estado estará a votação do programa do Governo, se BE e PCP apresentarem moção de rejeição. E quanto a isso, Costa garante que o PS “não contribuirá para maiorias negativas que criem obstáculos, nem para gerarem alternativas que não sejam suscetíveis de criar alternativas credíveis de governo”.

O líder socialista até apareceu mais descontraído do que seria normal para alguém que perdeu umas eleições. E depois de felicitar Passos Coelho e Paulo Portas, o secretário-geral do PS garantiu que não iria sair do partido: “Manifestamente não me vou demitir”, disse. E a sala explodiu em aplausos. Antes, tinha dito que era ele e apenas ele o responsável pelos resultados do PS: “O PS não alcançou os objetivos eleitorais a que se propôs. Eu como secretário-geral assumo por inteiro a responsabilidade política e pessoal”.

Costa quer ficar de pedra e cal apesar de logo de seguida ter garantido que o partido vai reunir os seus órgãos políticos par fazer a avaliação, admitiu que não será empecilho: “Nunca sou nem serei um problema para o PS. Nunca faltei quando foi preciso”, disse.

O líder socialista quis assim arrumar a parte interna. Mas no piso de cima apressou-se a falar Álvaro Beleza a pedir que o “partido tem de fazer uma forte reflexão e uma clarificação em relação ao que aconteceu” através de um congresso extraordinário e entretanto o Público dava conta da intenção de vários socialistas de exigirem essa reunião magna a Costa.

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