Documentos relacionados com o massacre de Nanjing, uma ofensiva militar japonesa que Pequim diz ter matado 300.000 pessoas em 1937, foram inscritos, na sexta-feira, no programa Memória do Mundo da UNESCO. A decisão surgiu após um processo de dois anos, numa reunião com especialistas da UNESCO que estudaram acontecimentos relativos a 40 países. Um total de 47 novas inscrições foi acordado na reunião, que decorreu nos Emirados Árabes Unidos.

O massacre de Nanjing é um tema particularmente sensível nas relações entre o Japão e a China, com Pequim a acusar Tóquio de nunca ter sido capaz de se redimir dessas atrocidades. Os militares japoneses invadiram a China nos anos 1930 e os dois países estiveram em guerra entre 1937 e 1945, quando o Japão foi vencido na II Guerra Mundial.

A China afirma que 300.000 pessoas morrerem nas seis semanas de matanças, violações e destruição após os japoneses entrarem em Nanjing, apesar de alguns especialistas estrangeiros defenderem que o número de vítimas foi inferior.

O historiador da China Jonathan Spence, por exemplo, estima que 42.000 mil soldados e civis tenham sido mortos e 20.000 mulheres violadas, muitas que acabariam por morrer.

No Japão, muitos contestam esta versão. Em fevereiro, um executivo da emissora pública NHK negou o massacre, apelidando a informação sobre este acontecimento de “propaganda”.

A posição oficial do Japão é de que “a morte de um vasto número de não-combatentes, as pilhagens e outros atos ocorreram”, apesar de acrescentar que “é difícil determinar” o número correto de vítimas.

O programa Memória do Mundo, iniciado em 1992, tem como objetivo preservar a herança documental da humanidade, e inclui atualmente 348 documentos e arquivos vindos de países de todo o mundo.