Livros

“Mulheres de Cinza”, de Mia Couto, chega hoje às livrarias

146

"Mulheres de Cinza", o último romance de Mia Couto que é hoje lançado nas livrarias portuguesas, inicia uma nova trilogia do escritor moçambicano, sob o título global "As Areias do Imperador".

ANTÓNIO SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A personagem central no novo romance, Ngunyane (nome que os portugueses transformaram em Gungunhana), foi um imperador de Gaza, no sul de Moçambique, que se rebelou contra a potência colonizadora e acabou derrotado por Mouzinho da Silveira, preso e desterrado para os Açores, onde morreu em 1906.

A glória e o mito de Ngunyane atravessaram os dois países, fomentados também por algumas inverdades e falsificações históricas, ao sabor dos interesses do momento. Em declarações ao quinzenário português Jornal de Letras, o escritor diz que Portugal sentiu necessidade de engrandecer o imperador, para tornar maior a sua vitória sobre o rebelde e que Moçambique o aproveitou para o panteão dos seus heróis nacionais e anticoloniais. “Ora, Ngunyane nunca pensou nesta nação chamada Moçambique”, conclui Mia Couto, dizendo que as versões “são construções de parte a parte”.

Falando esta semana, em Maputo, o autor disse à Lusa que os moçambicanos continuam “ainda prisioneiros de uma versão única do passado” e precisam de se libertar de uma narrativa solitária e de assumir que há outras” versões. “Hoje fala-se muito num discurso pluralista, em que os moçambicanos se aceitem diversos, mas não teremos um presente com essa diversidade se não soubermos que temos um passado com muitas versões e são todas válidas”, defendeu.

Natural da Beira, centro de Moçambique onde nasceu em 1955, Mia Couto é autor de uma vasta e premiada obra, iniciada em 1992 com “Terra Sonâmbula”, considerado um dos dez melhores livros de ficção africana, por um júri do Zimbabué. Em 2013, venceu o Prémio Camões e, em 2015, foi um dos dez finalistas do Man Booker International Prize.

“Mulheres de Cinza”, primeiro volume da trilogia “As areias do Imperador”, é editado pela Caminho, estando a saída dos dois próximos volumes prevista para 2016 e 2017.

A obra vai ser apresentada pelo escritor no domingo, no Fólio – Festival Internacional de Literatura de Óbidos, depois de uma aula de literatura africana, que Mia Couto vai dar em parceria com José Eduardo Agualusa, no Museu Municipal da vila. A apresentação em Lisboa realizar-se-á na terça-feira, 20 de outubro, a partir das 18:30, na Fnac Chiado.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Futuro

Homo Deus? /premium

André Abrantes Amaral
111

Não sendo nós mais que uma soma de algoritmos, tendo Deus morrido, o que resta então? Qual o sentido da vida? E se não somos livres, o espaço ideológico para os totalitarismos volta a estar em aberto.

Conflitos

Mediterrâneo

Luis Teixeira

Huntington defendeu, como Braudel, que a realidade de longa duração das civilizações se sobrepõe a outras realidades, incluindo os Estados-nação em que se supôs que a nova ordem mundial iria assentar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)