A Reserva Federal dos EUA, liderada por Janet Yellen, decidiu não subir a taxa de juro em setembro – como muitos analistas previam –, mas poderá não ter alternativa depois dos dados mensais sobre o emprego divulgados esta sexta-feira. Outubro foi o melhor mês do ano para a criação de emprego, esmagando todas as expectativas com 271 mil novos postos de trabalho não agrícolas criados. Especialistas dizem que o indicador torna quase um dado adquirido que o banco central dos EUA irá subir os juros em dezembro.

Nem os economistas mais otimistas consultados pela Bloomberg apontavam para um número tão volumoso. A criação líquida positiva de 271 mil empregos superou todas as expectativas, que apontavam (em média) para um aumento de 185 mil novos postos de trabalho. Além disso, apontando para uma maior probabilidade de que a inflação acelere nos próximos meses, os indicadores de remuneração média por hora subiram ao ritmo (homólogo) mais elevado desde julho de 2009. A taxa de desemprego está em 5%.

“Ainda que estes números não garantam uma subida da taxa de juro por parte da Reserva Federal em dezembro, até porque ainda há mais um relatório mensal antes da reunião agendada para 16 de dezembro, acreditamos que seria necessário um relatório catastrófico relativo a novembro para que a Reserva Federal voltasse a marcar passo em dezembro”, escreve o economista Rob Carnell, do banco holandês ING, em nota de reação aos números do emprego nos EUA.

Em antecipação à reunião de setembro, o Observador debruçou-se em detalhe sobre esta possível subida da taxa de juro nos EUA, que será a primeira desde 2006. Desde a crise financeira de 2008 a taxa de juro está no mínimo histórico de 0%-0,25%. A confirmar-se que a Reserva Federal estará “prestes a bater as asas, o mundo aguenta?