“Aposto consigo o que quiser. E aqui está gravado.” O líder do partido espanhol Ciudadanos, que se prepara para ser a terceira força política mais votada nas eleições legislativas de dezembro em Espanha, não quer fazer parte de governos de coligação. Em entrevista ao jornal El Español, Albert Rivera comprometeu-se solenemente a não integrar nenhum governo que não seja por si liderado. “Aposto consigo o que quiser. E aqui está gravado”, disse, depois de Pedro Ramírez, diretor da publicação, ter torcido o nariz a essa declaração.

Em todas as últimas sondagens, o Ciudadanos aparece em terceiro lugar nas intenções de voto, a já larga distância do Podemos, em quarto lugar, mas ainda longe de beliscar o PSOE e o PP, que disputam a vitória. Ganhe quem ganhar, Albert Rivera não apoiará ninguém a não ser o seu próprio partido. “Se não liderar um governo, estarei na oposição. Se não for primeiro-ministro, não serei vice nem ministro de ninguém”, afirmou, fechando a porta a um entendimento duradouro com os dois principais partidos, mas deixando uma janela aberta a acordos pontuais. “Vou dizê-lo de forma mais clara: se ganharmos, governamos. Se não, vamos para a oposição. E se quem governa depende dos nossos deputados, negociaremos ponto a ponto”, acrescentou.

Até ao momento, quando falta pouco mais de um mês para o escrutínio, as sondagens colocam o PP e o PSOE a pouca distância um do outro e o cenário de vitória ainda não é claro para nenhum dos partidos. O Ciudadanos tem sido associado pelos críticos ao PP, mas Albert Rivera rejeita as comparações. “Que ninguém se equivoque: quem vota Rajoy vai ter quatro anos de Rajoy. Quem não, tem outros partidos” para escolher, sublinhou.

Depois das últimas eleições autonómicas na Catalunha, o Ciudadanos tornou-se o principal partido da oposição naquela região, ganhando uma importância significativa. O partido é, à semelhança dos principais grupos políticos espanhóis e da grande maioria dos cidadãos, contra a independência catalã, pelo que a oposição a esse processo separatista pode tornar-se um ponto fulcral para convencer eleitores indecisos.