“A maioria (58%) dos africanos inquiridos diz que a corrupção aumentou nos últimos 12 meses, e em 18 dos 28 países onde foram feitos inquéritos uma grande maioria das pessoas diz que os governos não estão a conseguir combater a corrupção”, le-se no relatório hoje divulgado em Berlim para Transparência Internacional (TI).

O documento afirma que cerca de 75 milhões de africanos contactaram com a corrupção no ano passado, notando que os sobornos estão a aumentar, de acordo com a perceção geral, mas sublinha que esta prática não está confinada à grande corrupção, antes sendo usada também para garantir que as pessoas conseguem ter acesso aos serviços básicos.

“Muitos africanos, particularmente os pobres, são penalizados pela corrupção quando tentam ter acesso aos serviços públicos básicos no seu país”, acrescenta o relatório, especificando que “22% das pessoas tiveram contacto com um serviço público nos últimos 12 meses pagaram um suborno”, nomeadamente nas áreas da polícia e dos tribunais.

“A corrupção cria e aumenta a pobreza e a exclusão”, considera o líder da IT, José Ugaz. “Apesar de os indivíduos corruptos com poder desfrutarem de uma vida opulenta, milhões de africanos são excluídos das suas necessidades mais básicas como comida, saúde, educação, habitação, acesso a água potável e sanitários”, acrescenta.

“Exortamos os governos e os juízes a pararem a corrupção, erradicarem a impunidade e implementarem o Objetivo 16 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para pararem a corrupção, e também pedimos às pessoas para exigirem honestidade e transparência, e para se mobilizarem contra a corrupção, porque é tempo de dizer ‘basta’ e desmascarar a corrupção”, concluiu o responsável.

Entre as principais recomendações do estudo estão o fortalecimento dos governos e a aplicação da legislação sobre empresários corruptos e contra a lavagem de dinheiro para diminuir o volume de fluxos financeiros do continente, o estabelecimento de leis que protejam os denunciadores e ajudem as pessoas a exigir mais transparência e responsabilização às instituições públicas e o lançamento de reformas que combinem medidas punitivas com mudanças estruturais na sociedade a curto e médio prazo, nomeadamente contra a pequena corrupção, que tem um impacto direto nos cidadãos mais vulneráveis.

Por outro lado, a IT recomenda também que a União Africana e os membros dêem o exemplo, avançando com a vontade política e o financiamento necessários para implementar os mecanismos definidos na convenção anti-corrupção.

“Se não for travada, a corrupção atrasa o desenvolvimento e o crescimento económico e enfraquece a confiança das pessoas nos governos e a responsabilização das instituições públicas”, conclui o relatório.

Os resultados deste inquérito resultam de entrevistas feitas em 36 países da África subsariana.

Dos países lusófonos, apenas os resultados de Cabo Verde foram contabilizados; os de Moçambique e São Tomé e Príncipe não estavam finalizados e serão divulgados posteriormente, de acordo com os autores.