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A NOS pode estar prestes a fazer uma proposta milionária ao Benfica, para assegurar a transmissão exclusiva dos jogos dos encarnados: 400 milhões de euros em 10 anos, o equivalente a 40 milhões por ano. Segundo o Expresso, destes 40 milhões, 25 milhões pagariam a transmissão dos jogos, e os restantes 15 serviriam para assegurar a exclusividade da transmissão das partidas, impedindo que a Vodafone e a MEO os pudessem transmitir.

Fonte oficial do Benfica afirmou ao jornal Expresso que a informação “não tem fundamento”, e a NOS recusou comentar a alegada proposta. Mas o jornal garante que “várias fontes do mercado – entre elas algumas próximas do processo – garantem a existência de sondagens por parte de vários operadores ao clube da Luz”. A primeira terá sido a MEO, e agora é a NOS a querer garantir a exclusividade da transmissão dos jogos.

As movimentações terão começado quando, numa conferência recente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), o presidente executivo da PT Portugal, Paulo Neves, deu a entender que a PT Portugal faria os possíveis para dar os melhores conteúdos aos seus clientes. Uma afirmação que terá caído mal junto dos líderes de outras operadoras, que terão visto a declaração como o anúncio da vontade da MEO em passar a ter conteúdos exclusivos.

“Agiremos em conformidade se um concorrente quebrar nas palavras e nas ações um equilíbrio que existe hoje”, afirmou então o presidente da NOS, Miguel Almeida. Uma posição subscrita pelo presidente da Vodafone, Mário Vaz, que não hesitou em dizer que “mudar a estratégia da gestão de conteúdos é mudar as regras do jogo e isso afeta a competitividade”, garantindo que “a Vodafone tem defendido sempre, aliás como a NOS, que não de haver conteúdos exclusivos e que as operadoras devem diferenciar-se pela qualidade dos serviços”.

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Se a proposta for confirmada, será a confirmação da reversão da posição da NOS. E também uma resposta às movimentações da Altice, dona da PT Portugal, que já anunciou ter comprado por 300 milhões de euros os direitos televisivos da transmissão dos jogos da Premier League inglesa em França.

Se o Benfica negociar diretamente os seus direitos desportivos por um período de 10 anos, cairá por terra a vontade do novo presidente da Liga de Clubes Pedro Proença, que aquando da sua candidatura anunciou a intenção de centralizar a venda dos direitos desportivos da Liga Portuguesa. Uma medida que permitiria, segundo Pedro Proença, uma valorização do campeonato no seu todo, e uma distribuição mais justa das receitas televisivas dos clubes.

Os direitos de transmissão dos jogos do Benfica têm sido um prato apetecível desde que o clube decidiu rejeitar, há dois anos, a proposta da Sport TV, que se propunha a pagar 22 milhões de euros pelos direitos televisivos do clube da Luz. Na altura, os encarnados, que passaram a transmitir os seus jogos em exclusivo na Benfica TV, consideraram o valor baixo, e pediam 40 milhões ao ano, o valor que a NOS terá agora alegadamente proposto aos encarnados, com a contra-partida de receber a exclusividade da transmissão das partidas.

As movimentações da Altice

Foram as primeiras movimentações da dona da MEO neste mercado que obrigaram a NOS a avançar com este processo. Ou seja, tudo terá começado nas últimas semanas, período em que o grupo francês se desdobrou em negociações com os clubes portugueses tendo, inclusivamente, chegado já a acordo com um clube pequeno da Primeira Liga portuguesa, avança o Jornal de Negócios. Este acordo deverá ser de muito longo prazo e poderá incluir os direitos de transmissão dos jogos que estão, atualmente, na posse da Sport TV.

Mas o mesmo jornal dá conta que a ambição da Altice não se fica pelos clubes pequenos. O objetivo passa por concretizar negócios semelhantes com os chamados três grandes do futebol português. Na prática, a intenção será a de comprar os direitos avulso para depois lançar um canal de desporto próprio para a transmissão destes jogos.

Ao Jornal de Negócios uma fonte oficial dos encarnados referiu também, quando questionado sobre a possível venda dos direitos dos jogos do Benfica, que “todas todas as Sociedades Anónimas desportivas procuram maximizar as receitas dos seus direitos televisivos, fizemo-lo com a exploração desses direitos pela BTV. Portanto nenhuma opção ou oferta, se houver, poderá deixar de ser estudada”