Governo

Jerónimo: posição comum não é “coligação”, “acordo programático” nem sequer “acordo de incidência parlamentar”

O secretário-geral do PCP afirmou que o acordo com o PS não é "coligação", "acordo programático" ou "acordo de incidência parlamentar", mas é "compromisso" que comunistas honrarão.

Jerónimo de Sousa criticou ainda as "surpresas negativas" deixadas por PSD/CDS que, acusa, "quiseram enganar os trabalhadores e o povo"

NUNO VEIGA/LUSA

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse numa sessão pública em Évora que o acordo do PCP com o PS “não se trata de uma coligação, nem de um acordo programático, nem tão pouco de um acordo de incidência parlamentar”. É antes um “entendimento bilateral”, que incide sobre “questões muito concretas”.

“Estamos perante um compromisso com objetivos concretos e imediatos que já permitiu impor à coligação PSD/CDS uma grande derrota”, explicou, dizendo que o caminho”não será fácil e muito menos simples”, mas que “os comunistas terão e têm uma só cara, uma só palavra”.

Jerónimo de Sousa afirmou ainda que ficaram fora do acordo “questões em que se verificaram diferenças substanciais e que, colocando-se mais à frente, se verá então como encará-las, honrando os compromissos assumidos”.

O secretário-geral do PCP acusou ainda o anterior Governo PSD/CDS-PP de ter utilizado a “bandeira” do défice para “tentar enganar” os portugueses, alertando que vão surgir “mais surpresas negativas”.

“Surgirão mais surpresas negativas. Toda a campanha do PSD e do CDS foi cimentada na ilusão, na propaganda e na mentira”, argumentou.

Numa sessão pública em Évora, subordinada ao tema “Luta e confiança por um Portugal com futuro”, o líder do PCP aludiu à análise à execução orçamental até setembro da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), divulgados na quinta-feira.

Segundo o secretário-geral comunista, as “surpresas negativas” da anterior coligação já incluíram, “primeiro, a questão da sobretaxa e da sua devolução” e, depois, “a situação do BANIF, do Novo Banco”.

Agora, “ficamos a saber que essa bandeira que estavam sempre a erguer, e que ainda ontem ergueram no debate [do programa do Governo PS], das metas do défice cumpridas, que ficaria abaixo dos 3%, afinal, parece que também aí quiseram enganar os trabalhadores e o povo”, continuou.

A análise da UTAO indica que o défice nas contas nacionais (as que contam para Bruxelas) deve ter ficado acima dos 3,7% do PIB entre janeiro e setembro deste ano, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano e dos 3% necessários para deixar o Procedimento por Défices Excessivos.

Perante sala cheia, Jerónimo de Sousa alertou os militantes e simpatizantes do partido que é preciso “não esquecer e responsabilizar” o anterior Governo PSD/CDS-PP, que “tanto mal fez aos trabalhadores e ao povo”.

A coligação “tinha essas duas bandeiras, da dívida e do défice”, mas, “apesar de tantos sacrifícios, de tanto esbulho, de tanto roubo nos salários, nas pensões e nas reformas, nos impostos” dos portugueses, a economia do país está “cada vez mais rastejante”, frisou Jerónimo de Sousa.

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