O vice-presidente da China Three Gorges (CTG), a maior acionista da EDP, afirmou hoje em Pequim que os países lusófonos são uma prioridade para a sua empresa, que ambiciona ser líder mundial nas energias renováveis.

“Há quatro anos, quando participamos do programa de privatizações de Portugal, apercebi-me pela primeira vez da importância do português para os nossos negócios”, afirmou Lin Xuchue, aludindo à compra de 21,35% do capital da EDP, em 2012.

O negócio, que incluiu o pagamento de 2.700 milhões de euros ao Estado Português, foi um dos maiores investimentos chineses na Europa.

Entretanto, a EDP-Renováveis concluiu este ano a venda à CWEI-Brasil, empresa controlada integralmente pela CTG, de 49% do capital social de parques eólicos em operação e em desenvolvimento no Brasil.

“Nós temos a ambição de nos tornarmos líderes mundiais no setor das energias limpas”, apontou Lin. “E, coincidentemente, os dois mais importantes projetos e países neste segmento – Portugal e Brasil – falam português”, destacou.

No mês passado, o gigante estatal chinês arrematou em leilão os direitos para operar duas importantes centrais hidroelétricas no Brasil.

O negócio prevê o pagamento de 13,8 mil milhões de reais (3,4 mil milhões de euros) ao Estado brasileiro pelos direitos de concessão por 30 anos das centrais da Ilha Solteira e da Jupia.

“Essa transação deverá estar concluída até ao final deste ano”, avançou o executivo da CTG.

Lin Chuxue falava à margem da primeira edição do “Prémio Tomás Pereira”, uma distinção atribuída anualmente aos melhores estudantes chineses de português pela embaixada de Portugal em Pequim, em parceria com instituições de ensino superior portuguesas e chinesas.

Os quatro estudantes premiados – um por cada ano da licenciatura – terão a possibilidade de frequentar um curso de verão intensivo em Portugal, com o patrocínio da CTG.

“Um dia que regressem à China serão bem-vindos à nossa equipa”, disse Lin aos alunos.

O prémio homenageia também um dos mais ilustres missionários portugueses estabelecidos na China no século XVII, Tomás Pereira, que foi músico e conselheiro do imperador Kangxi.

“Desde que cheguei aqui que rapidamente me apercebi que é talvez a figura no relacionamento entre Portugal e a China que mais merece ser conhecida”, referiu à agência Lusa o embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres-Pereira.

Conhecido na antiga corte imperial chinesa como músico, astrónomo, matemático e diplomata, Tomás Pereira desempenhou também um papel importante nas negociações do primeiro acordo fronteiriço entre a China e a Rússia, no final do século XVII.

“O seu contributo foi multifacetado e incontroverso. Mas, estranhamente, ele continua a ser pouco conhecido”, acrescentou o diplomata.

Quase 1.600 estudantes chineses estão a frequentar licenciaturas em português em 21 universidades da China continental.

“Idealmente, se todos os alunos admitidos no curso concluíram os estudos, há hoje 2256 licenciados em língua portuguesa na China”, especificou Liu Gang, professor de português e responsável pela edição da revista Portu-nês – uma publicação ‘online’ de Estudos Portugueses no país.