A entrada de 500 milhões de euros em dinheiro fresco na seguradora Fidelidade foi concretizada esta semana. O investimento foi realizado sobretudo pelo acionista controlador, a Fosun. A operação era necessária para cumprir as novas exigências de solvência do setor segurador que entram em vigor em 2016 e foi feita através de prestações suplementares subscritas pelos dois acionistas, a Fosun e a Caixa Geral de Depósitos, de acordo com informação recolhida pelo Observador.

A entrada de dinheiro por parte do conglomerado chinês aconteceu na mesma semana em que o fundador e líder da Fosun, Guo Guangchang foi detido, no quadro de investigações a suspeitas de corrupção pelas autoridades judiciais chinesas.

Em comunicado, o conglomerado privado chinês sublinha que o seu presidente, e maior acionista, está a colaborar com as investigações e garante que Guo, que também é presidente não executivo da Fidelidade, continua a fazer parte do processo de tomada de decisão da Fosun nas matérias importantes, através dos meios adequados. Os executivos da Fosun asseguram ainda que a investigação em curso não representa um impacto material adverso em termos financeiros ou operacionais e que as operações prosseguem com normalidade.

Mas o mesmo não se poderá dizer do impacto reputacional. O dono da Fosun é um dos milionários chineses mais conhecidos fora de portas, comparado a Warren Buffett pela estratégia de grandes aquisições que realizou nos últimos anos.

Dúvidas jurídicas atrasaram aumento de capital

A entrada de dinheiro na Fidelidade estava prevista há vários meses, tendo sido aprovada através da realização de um aumento de capital que foi analisado em assembleia geral em setembro. A concretização da operação foi no entanto adiada devido a dúvidas quanto ao quadro jurídico competente por causa do envolvimento a Caixa Geral de Depósitos.

O banco do Estado, é acionista da Fidelidade, com 15% do capital, e deveria reduzir a sua participação no quadro deste aumento de capital, o que do ponto de vista jurídico configuraria uma operação de privatização. A clarificação desta questão, atrasada por sua vez pela mudança do governo, levou à derrapagem no calendário do reforço de capital da maior seguradora portuguesa que tinha já sido acordado com o regulador.

As necessidades adicionais de capital resultam da política de aquisições desenvolvida pela Fidelidade desde que foi vendida pela Caixa ao conglomerado chinês Fosun, com destaque para a compra da Luz Saúde, antiga Espírito Santo Saúde. O investimento em curso da empresa dona do Hospital da Luz na expansão da oferta também pressionou as necessidades de capital da Fidelidade que serão acomodadas com esta operação.

A operação prevê um reforço total do capital de 607 milhões de euros, através da entrada de dinheiro fresco, no montante de 500 milhões de euros que será um investimento assumido sobretudo pela Fosun, mas também de entradas em espécie, que neste caso são ações de empresas Multicare e Care, onde a Caixa também é acionista.