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Maria de Belém Roseira não pediu o apoio do Partido Socialista a António Costa, mas conta com a recomendação de voto do PS se passar à segunda volta das eleições presidenciais. Em entrevista à SIC, a candidata, que é militante e foi presidente dos socialistas, defendeu que “hoje em dia não se justifica que os partidos façam recomendações de voto para as presidenciais e transmiti isso a António Costa”. Mas minutos depois, deixou o recado: “Mas conto com uma recomendação do PS numa segunda volta”. Revela ainda que não falou nem pediu o apoio do antigo líder do PS, António José Seguro.

A candidata procurou distanciar-se do espaço daquele que será o seu concorrente mais direto na passagem a uma segunda volta com Marcelo Rebelo de Sousa. Nesta entrevista conduzida por Clara de Sousa e Anselmo de Sousa, Maria de Belém realça que avançou porque recebeu muitos pedidos nesse sentido — militantes, presidente de câmara e presidentes de junta socialistas — mas também porque considerou que “havia um espaço não coberto pelos candidatos já existentes que a sua candidatura podia ocupar”. E que espaço é esse? O centro-esquerda, responde a candidata.

Sendo assim, perguntam os entrevistadores da SIC, onde está Sampaio da Nóvoa? “Mais à esquerda”, responde. A candidata lembra que o académico tem o apoio formal de dois partidos, o MRPP e o Livre e que define a sua candidatura como sendo de esquerda.

Confrontada com os apoios de peso que Sampaio da Nóvoa já recebeu (nomeadamente de ex-presidentes e notáveis socialistas), Maria de Belém atribui essa situação ao facto de o candidato ter anunciado a candidatura mais cedo (em abril) do que sua (no verão).

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Assinalando que nada tem contra a candidatura de Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém defende que quem passou pelas instituições (Governo, parlamento e administração pública) ficou mais preparado para exercer o cargo “muito exigente” de Presidente da República.

Descartou ainda a crítica de que sua candidatura veio dividir o PS. “Não é um militante do PS que divide o PS”, perante um candidato não militante.

Marcelo, o faz de conta, um irrequieto

Marcelo Rebelo de Sousa concentrou uma boa parte da entrevista, com Maria de Belém Roseira a qualificar o “comentador” e candidato da direita como um homem “que passa a vida a fazer de conta. Faz de conta que não é político e é político. Faz de conta que não apoia Cavaco Silva e sempre o apoiou”.

A candidata, militante socialista, descreveu o seu opositor à direita como “um irrequieto” e invocou o caráter “hiperativo” de Marcelo, que o leva a telefonar a qualquer hora porque não descansa, para concluir que não é o mais adequado à função presidencial. O cargo, no seu entender, “exige uma pessoa com grande estabilidade e sentido profissional e capacidade de estabelecer pontes” e não uma pessoa que gosta de criar factos.

Se alguma coisa estiver estabilizada, quererá criar factos para resolver, ilustrou. “E quando se acompanha tudo, normalmente interfere-se”. Maria de Belém desvalorizou ainda as credenciais do jurista Rebelo de Sousa como constitucionalista, lembrando que o Presidente deve ser o árbitro e não emitir pareceres.

Maria de Belém mostrou-se ainda confortável com a Constituição tal como está e afirmou que só equaciona um cenário de dissolução do governo se estiver em causa o cumprimento do tratado da União Europeia que tem força constitucional. Para a candidata, o normal é que o governo cumpra a legislatura. O país só ganha em ter estabilidade, diz.

E ser mulher é uma vantagem ou um handicap? Nem uma coisa, nem outra, responde. Maria de Belém define-se contudo como uma “feminista” no sentido em que é uma mulher que sempre se bateu pela defesa de direitos iguais.