Grupos de oposição a Bashar al-Assad aceitaram, pela primeira vez, reunir-se com representantes do regime sírio para iniciar conversas com vista à pacificação do território, conta o Telegraph. A decisão por parte da oposição a Assad foi tomada numa reunião de dois dias em Riade, a capital da Arábia Saudita. As negociações deverão começar em janeiro.

Os grupos de oposição, que entre eles contam com membros do Exército pela Libertação da Síria e fações mais extremistas (Jaish al-Islam, por exemplo), afirmaram que estão prontos para as negociações patrocinadas pela ONU, sendo que mantêm a exigência de o atual líder sírio sair do poder. “O objetivo do acordo político é criar um Estado baseado no princípio da cidadania sem Bashar al-Assad”, declarou um dos grupos, em Riade, citado pela Al Jazeera. “Os participantes insistiram que Bashar al-Assad e os seus apoios saíssem do poder com o início do período de transição”, reforçou. Essa reunião em Riade reuniu mais de 100 representantes de grupos da oposição. Um deles era Monzer Akbik, membro da Coligação Nacional Síria, que explicou quem tomará as rédeas do país “Há representantes de todas as fações da oposição — políticas e militares — e serão eles os decisores relativamente ao acordo político.”

Há, no entanto, uma mudança significativa no discurso da oposição após a reunião de Riade. É que, antes, eram irredutíveis quanto à saída de Assad do poder. Agora já admitem que o líder sírio fique enquanto o governo de transição é formado. Para Ibrahim Hamidi, editor do jornal sírio Hayat, este novo elemento é “uma grande mudança”, disse em declarações à BBC.

Já o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, mostrou-se reticente quanto ao acordo de Riade. Sim, houve um progresso, admitiu, “mas há alguns assuntos por ultrapassar”. Para tal, está agendada para 18 de dezembro uma reunião em Nova Iorque, para acelerar o processo de paz na Síria. O plano está em cima da mesa, reconheceu Kerry, mas “ainda não está fechado”.

A guerra civil na Síria, iniciada em março de 2011, já matou mais de 250 mil pessoas e deslocou qualquer coisa como 11 milhões. O conflito é muito mais do que um mero problema nacional, pois são muitas as nações envolvidas na equação: Arábia Saudita, a anfitriã da reunião da oposição, a Turquia e os países do Ocidente querem ver Bashar al-Assad fora do poder, enquanto o Irão e Rússia preferem manter as coisas como estão. O regime de Bashar al-Assar terá ganho fôlego precisamente após a entrada da Rússia no conflito, sob a justificação de que estaria a bombardear o Estado Islâmico no território sírio.