É cada vez mais um candidato vencedor. Marcelo Rebelo de Sousa poderá vir a ganhar as eleições presidenciais de 24 de janeiro à primeira volta, indo buscar votos não só à direita como também aos comunistas, socialistas e bloquistas. Em caso de segunda volta, o vencedor mantém-se. É pelo menos este o resultado do último barómetro do Centro de Sondagens da Universidade Católica feito para a Antena 1, RTP, Diário de Notícias e Jornal de Notícias: o professor reúne 62% das intenções de voto, seguindo-se, ao longe, Sampaio da Nóvoa (com 15%) e Maria de Belém Roseira (14%).

A sondagem baseia-se em 1183 inquéritos realizados entre 5 e 6 de dezembro e é a primeira que dá ao ex-comentador político um resultado tão esmagador, acima dos 60%. A candidata bloquista Marisa Matias surge com apenas 3% das intenções de voto, o mesmo resultado obtido pelo candidato do PCP, Edgar Silva. Mais abaixo surgem ainda Henrique Neto e Paulo Morais, ambos com 1% das intenções de voto.

Onde Marcelo vai buscar votos?

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu ontem à noite o apoio dos partidos da direita, PSD e CDS, mas sempre fez questão de sublinhar as “diferenças” e a “independência” da sua candidatura. E é precisamente isso que refletem as intenções de voto: sendo claramente o preferido entre os eleitores da coligação (72% vão votar nele), o professor tem também uma presença forte em todos os demais eleitorados, indo buscar votos importantes àqueles que votaram no PS, no BE e também no PCP.

Entre os votantes PS nas últimas legislativas, o barómetro da Católica dá conta de que 26% se preparam para votar no ex-líder do PSD, sendo que apenas 18% desse universo de eleitores admite votar em Maria de Belém (ex-ministra e ex-presidente do PS) e outros 18% admitem votar em Sampaio da Nóvoa. Ou seja, Marcelo é o preferido entre os socialistas que, de resto, estão profundamente divididos entre Belém e Nóvoa.

No universo de votantes no BE no último dia 4 de outubro, a maioria (30%) prefere Marcelo, sendo que só 10% se inclinam para a candidata oficial do partido, Marisa Matias, e outros 10% para Sampaio da Nóvoa (Maria de Belém chega aqui a 9% dos eleitores). Entre os que votaram na CDU nas últimas legislativas o fenómeno é o mesmo: Marcelo é o preferido (31%), sendo que Edgar Silva aparece em segundo lugar, com 22% das intenções de voto, e Sampaio da Nóvoa em terceiro, com 11%.

Tudo cenários que apontam para uma vitória esmagadora de Marcelo à primeira volta. Mas mesmo que haja um segundo round, a mesma sondagem diz que o candidato da direita vence na mesma. No confronto direto tanto com Maria de Belém como com Sampaio da Nóvoa, o professor tira nos dois casos uma vantagem de 57% contra 17% (26% dos inquiridos optaram por não responder).

Se se confirmar a grande expressividade da votação, Marcelo pode vir a igualar Ramalho Eanes, que fez a proeza de conquistar 61,6% dos votos na primeira corrida de 1976. Só Mário Soares viria a ter resultado ainda maior, tendo conquistado mais de 70% dos votos em 1991, quando se recandidatou a um segundo mandato em Belém.

Novo Presidente vai deixar cair o Governo?

A maioria dos inquiridos acredita que sim. 52% dos inquiridos pelo Centro de Sondagens da Católica acham que o Governo vai cair antes do fim da legislatura, sendo 35% acreditam que não, e que o Governo vai durar até ao fim. Os eleitores do PS os mais otimistas quanto a este cenário (61% defendem-no), e os eleitores da coligação os menos crentes. Entre os votantes do BE, 53% acreditam que o barco se aguenta durante os quatro anos, e entre os eleitores da CDU 52% mantém-se igualmente otimistas.

E o que fará cair o Governo, sendo assim? O mais provável (33%) é que seja o novo Presidente a dissolver a Assembleia da República e a convocar novas eleições. É esta a opção mais escolhida entre os eleitores de todos os partidos, da direita à esquerda, sendo que os votantes da coligação também equacionam a possibilidade de ser António Costa a demitir-se, e os eleitores comunistas admitem que possa haver dissidências nomeadamente entre alguns deputados do PS, que se possam juntar à direita.