No dia em que David Bowie morreu, a 10 de janeiro, o filho do cantor serviu-se do Twitter para confirmar a triste notícia e dizer que ia estar offline durante uns tempos: “Lamento muito e é triste dizer que é verdade. Vou estar offline por uns tempos. Amor para todos”. Uma semana depois, Duncan Jones regressou à dita rede social, quebrando o silêncio a que se tinha remetido, ao partilhar uma carta de agradecimento escrita por um médico galês e dirigida ao falecido artista.

Nessa carta, Mark Taubert, especialista em cuidados paliativos, elogiou David Bowie como uma inspiração para milhões de doentes terminais:

No início da semana tive uma conversa com uma paciente em fim de vida. Falámos sobre a sua morte e a sua música, e isso levou-nos a falar sobre inúmeros temas pesados que nem sempre são fáceis de discutir com alguém que está a enfrentar a sua própria morte. Na verdade, a sua história tornou-se numa forma de falar abertamente sobre a morte, algo que muitos médicos e enfermeiros lutam para introduzir enquanto tópico de conversa.

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O médico concluiu que o facto de ter abordado a vida (e a morte) do cantor, bem como o seu trabalho, permitiu à paciente em questão visualizar os seus pensamentos “nos momentos finais”. A isso, Taubert acrescentou ainda:

Obrigado por ‘Lazarus’ e por ‘Blackstar’. Sou um médico de cuidados paliativos e o que fez antes de morrer teve um profundo efeito em mim e nas pessoas com quem trabalho. O seu álbum está cheio de referências, pistas e alusões. Como sempre, você não faz da interpretação algo assim tão fácil, mas talvez não esse seja o objetivo”.

Na carta, o Taubert agradeceu ainda ao cantor por este lhe ter providenciado a banda sonora da sua vida desde tenra idade.

O 25º e último álbum de Bowie, Blackstar, foi lançado a 8 de janeiro, no dia em que o cantor celebrou 69 anos de vida. De lá para cá, chegou à 1º posição de rankings nos Estados Unidos e na Austrália, tal como escreve a Rolling Stone.

Quem é Duncan Jones, o filho de Ziggy Stardust?

Duncan Zowie Haywood Jones nasceu a 30 de maio de 1971, em Londres. A sua mãe é a ex-modelo Angie Bowie, a primeira mulher de David Bowie, de quem o artista se viria a divorciar em 1980. O processo de divórcio terá sido complicado, mas foi Bowie quem ficou com a custódia do filho, na altura com nove anos. Mais tarde, em 1992, Duncan seria o padrinho no casamento do pai com a supermodelo Iman.

De acordo com Angie Bowie, filho e mãe não se falam há anos. A ex-modelo, que atualmente concorre no programa britânico Celebrity Big Brother, chegou a culpar David Bowie pela falta de relacionamento com Duncan. “Eu não o vejo de todo, ele não gosta de mim”, disse citada pelo International Business Times. Mais recentemente, comentou numa entrevista à revista australiana New Idea que entregou o filho a David Bowie numa tentativa de salvar o cantor.

A relação entre filho e pai será, no entanto, certamente diferente: a julgar pela fotografia que Duncan Jones partilhou no Twitter, a confirmar a morte do cantor, é seguro dizer que ambos foram próximos até ao fim.

Aos 44 anos de idade, aquele que um dia respondeu pelo nome Zowie Bowie é um realizador de cinema de sucesso. Prova disso são os vários prémios e nomeações que tem angariado ao longo do tempo — em 2009 foi considerado o melhor realizador no London Film Critics Awards e, ano seguinte, recebeu um BAFTA a propósito da notável estreia enquanto escritor, realizador e produtor britânico. Entre os seus trabalhos, destaque para Moon: O Outro Lado da Lua (2009) e O Código Base (2011), com Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan nos papéis principais.

Em 2016 Duncan promete dar nas vistas também por bons motivos, uma vez que está por detrás da realização de Warcraft, a sua maior superprodução, tal como escreve o espanhol El País, mas também a adaptação de um dos videojogos de maior sucesso na história.

Bowie: um artista digno de uma constelação

Esta segunda-feira também é notícia que um conjunto de astrónomos belgas anunciou o registo de uma constelação batizada em homenagem ao cantor que faleceu a 10 de janeiro, dois dias depois de completar 69 anos, diz o Guardian.

Composta por sete estrelas que brilham na forma de um relâmpago, a constelação leva o nome de David Bowie, uma honra que vem fazer jus à carreira do artista que desde cedo encontrou no espaço uma fonte de inspiração — com enorme sucesso no single Space Oddity e, mais tarde, em Ziggy Stardust.