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Satta. O set deste DJ foi feito a pensar em si

Este artigo tem mais de 5 anos

É uma plataforma portuguesa de 'streaming' de artistas de música com recomendação de 'sets' para cada ocasião. E uma das Startup Spotlight do South by Southwest 2016. Começou no Chile, com amor.

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HUGO AMARAL/OBSERVADOR

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

A história do Satta é portuguesa. Começa na Lituânia, passa por Barcelona, estabiliza no Chile e regressa a casa. David Molina tem 30 anos e a história é dele. E de Tiago Pais e de Emilis Rutavicius. Dele, do ano de Erasmus que fez junto ao mar Báltico. Da mulher Rita e da aventura que ambos queriam viver antes de terem o primeiro filho. Ele pediu-a em casamento em Barcelona. Ela desafiou-o a fazerem “uma loucura”. Aterraram no Chile.

A história do Satta é música. Nasce num “clube meio legal, meio ilegal”, em 2007. Quando David percebe que há um DJ a passar música sem headphones, numa cave com azulejos portugueses, na Lituânia. Com um patrão português que faz curadoria de artistas de música eletrónica. Até o austríaco Dorian Concept desceu à cave. Para fazer subir os sonhos de David.

A história do Satta é portuguesa, é música e é tecnologia. Começou por ser uma plataforma online, de utilização gratuita, que quer explicar “géneros de música modernos”. E tornou-se, sobretudo, num algoritmo de recomendação personalizada de sets de artistas, consoante o estado de espírito do utilizador.

Queríamos que fosse uma plataforma que explicasse os géneros de música, mas rapidamente percebemos que tínhamos algo mais bombástico em mãos. Começámos a desenvolver o produto de forma a que fosse altamente rentável e não como as plataformas de ‘streaming’ modernas, que até terem receitas são fundos de investimento enormes”, explicou David Molina ao Observador.

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Quando David se muda para o Chile com a mulher, o clube que tinha conhecido na Lituânia, e que se transformou num festival, já tinha fechado portas. Quis pegar no conceito e extrapolá-lo para algo que se pudesse tornar viral, mas só avançou depois de ter Tiago e Emilis na equipa, além do “sim” de dois investidores norte-americanos.

Com 120 mil dólares de investimento (cerca de 110 mil euros), puseram mãos à obra. Arrancaram o projeto com 12 artistas, que criaram 12 géneros musicais master. Estes géneros criaram 140 subgéneros. Atualmente, estão disponíveis no Satta sets de uma hora de 400 artistas de música eletrónica, vulgarmente conhecidos por DJ, de 40 países. David diz que não tem um mar de música, mas uma lagoa “com a fina flor da música” que há em cada um dos géneros.

Um artista eletrónico é uma pessoa que controla música através de um instrumento eletrónico, mas pode ser qualquer tipo de música – 63,8% da música que temos na plataforma não é eletrónica. É jazz, soul, funk, entre outros. Temos mais de 1200 ligações feitas entre subgéneros de música. Subgéneros que criam subgéneros”, explica David Molina.

Foi com base nestes 12 géneros que criaram o algoritmo de recomendação de música personalizada. É como ter um DJ pessoal a produzir o set adequado para a ocasião ou estado de espírito que está a viver – quer esteja a trabalhar, a jantar em casa com amigos ou a precisar de relaxar.

“Quando o utilizador entra na plataforma, o algoritmo de recomendação tenta criar um primeiro mapa de sugestões com base na música que ele gosta”, explica David.

Fazendo o login com a conta do Facebook, a primeira recomendação tem por base o perfil do utilizador na rede social, que vai sendo otimizado à medida que o ouvinte vai utilizando a plataforma. A única coisa que tem de fazer é escolher a ocasião em que se encontra.

O algoritmo deu origem a mais uma área de negócio dentro do Satta, os eventos. Utilizam a informação que recolhem para criar eventos “com a música certa, no espaço certo e pessoas certas”. Organizaram 34 eventos na Argentina, Chile, Perú, Uruguai e Portugal. Depois, lançaram a Satta TV, onde fazem streaming de vídeo de sets produzidos por artistas, em sítios improváveis como uma estação de metro ou debaixo de uma ponte. As receitas das três áreas de negócio do Satta são oriundas, sobretudo, do patrocínio de marcas.



O modelo de negócio fez com que o projeto atingisse 67% do breakeven (155 mil dólares) em 2015. Agora, querem mais. David Molina anda à procura de investidores: 400 a 500 mil euros para os próximos dois anos de atividade. Objetivo: desenvolver a aplicação móvel para Android (a iOS já está desenvolvida), melhorar o algoritmo de recomendação e aumentar a tração.

Enquanto o investimento não chega, não param de chover “medalhas”. Em 2015, o Satta foi convidado para os festivais Sónar, em Barcelona, Santiago do Chile e Buenos Aires. E para o FOM (Festival of Media Latam), em Miami. Este ano, são uma das Startup Spotlight do festival South by Southwest (SXSW), nos EUA.  A única portuguesa. E já receberam um convite para participar no Collision 2016 e na Web Summit.

Tiago Pais continua a trabalhar no Satta, a partir do Chile. David e Emilis estão em Lisboa desde agosto de 2015. A sede da empresa também.

*Tive uma ideia! é uma rubrica do Observador destinada a novos negócios com ADN português.

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