Pedro Passos Coelho nega que o seu Governo tenha enganado a Comissão Europeia e afirma que “toda a gente sabia”, entre troika e instituições europeias, que as medidas apresentadas pelo seu Executivo eram temporárias, embora reconheça que têm efeitos estruturais na economia portuguesa como aconteceu na remoção do corte de salários da função pública ainda no anterior mandato.

“Há medidas temporárias e medidas que não o sabem. Toda a gente sabe que estava no Programa de Estabilidade e, que está em vigor ainda, é muito claro a apontar a remoção das medida de austeridade, o corte dos salários da função pública e da sobretaxa”, afirmou o líder do PSD ao entrar para uma conferência sobre os “30 anos da União Europeia”, organizada pelo partido.

Após ser acusado pelo primeiro-ministro de ter classificado mal medidas enviadas a Bruxelas, Passos Coelho diz agora que sempre que o novo Executivo “é apanhado em falso ou faz asneira”, aponta o dedo a outros. O ex-líder do Governo de coligação disse ainda que a troika, a UTAO e todas as instituições europeias conheceram todos os acórdãos do Tribunal Constitucional e todos os orçamentos. “Todas as medidas foram apresentadas nestes anos são escrutinadas por toda a gente”, afirmou.

Sobre a ameaça da DBRS baixar o rating do país, Passos Coelho avisou o novo Executivo  que o preço a pagar por este orçamento pode ser “demasiado caro”.  “A ideia que devemos prosseguir uma política que desafie esses riscos porque achamos que devemos ir mais depressa, pode ter consequências negativas”, considera o antigo primeiro-ministro.