Arménio Carlos afirma que para a CGTP as negociações do Orçamento de Estado com Bruxelas foram “mais um exemplo da ingerência e, também, da chantagem que a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional e o próprio Banco Central Europeu continuam a exercer sobre Portugal”.

A “chantagem” da Comissão Europeia, segundo Arménio Carlos, mostra que a Comissão não desenvolve uma política de acordo com os princípios da construção da UE – “orientada para um modelo social”. Dentro da União Europeia, o setor financeiro está a orientar a economia, e não o social, salientou o secretário-geral da CGTP.

No entanto, as críticas não incidem somente sobre as entidades internacionais, mas também sobre o Governo. À entrada para uma reunião de concertação social, o secretário-geral da CGTP afirma que “é interessante verificar que os mesmos que estiveram na origem do memorando da troika, que provocou situações de profunda desigualdade e empobrecimento do país, são os mesmo que hoje não querem reconhecer os erros das suas políticas”. Arménio Carlos critica a insistência do FMI na flexibilização.

O adiamento da implementação das 35 horas de trabalho para a função pública é uma preocupação para o secretário-geral da CGTP, uma vez que houve “um compromisso assumido”, que tem “uma relação direta com a palavra de honra”. A justificação é a necessidade de cortar na despesa? “Se agora se invoca o acréscimo de despesa, também é bom dizer que às outras áreas” onde se pode cortar. Arménio Carlos aponta para as parcerias público-privadas, cuja reversão, afirma, pode suportar os custos da redução do horário dos trabalhadores da administração pública. Apesar das 35 horas não estarem na agenda da concertação social, Arménio Carlos afirma que não vão “deixar de abordar” essa matéria.

Por seu lado, João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, afirma que as previsões atuais do Governo são “mais realistas”, em relações às anteriores previsões de crescimento económico, que considerava “excessivamente otimistas”.

*Editado por Filomena Martins