Mais de 500 mil portugueses deixaram de fumar desde 2005/2006, engrossando a lista de pessoas que puseram fim ao vício. Nestes quase dez anos, a prevalência de ex-fumadores aumentou praticamente seis pontos percentuais, passando de 16% da população para 21,7%, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pela Direção Geral de Saúde no relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2015”.

O total de ex-fumadores fixou-se assim, em 2014, nos 1,9 milhões de portugueses, mais do que os 1,78 milhões com 15 ou mais anos que fumavam naquele ano.

A maioria das pessoas que deixaram de fumar são homens, embora o aumento da percentagem de ex-fumadores se tenha verificado em ambos os sexos e em quase todas as faixas etárias. A DGS chama a atenção para “o aumento expressivo de jovens dos 15 aos 24 anos que deixaram de fumar” neste período.

De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde mais recente, 92,1% dos residentes em Portugal que deixaram de fumar não tiveram qualquer apoio e só 3,6% recorreram a apoio médico ou tomaram medicamentos para deixar de fumar.

O aumento de ex-fumadores contribuiu, segundo a DGS, para “a redução global do consumo de tabaco em Portugal” entre 2005/2006 e 2014. Em 2014, 1,78 milhões de portugueses com 15 ou mais anos eram fumadores, cerca de 20% do universo em causa, o que representa uma quebra face a 2005/2006, em que a prevalência de fumadores se fixava nos 20,9%, com cerca de 1,86 milhões de pessoas a fumar.

Como ponto menos positivo, regista-se o aumento da iniciação do consumo, traduzido pela diminuição da prevalência dos “nunca fumadores” de quase cinco pontos percentuais, sublinham os especialistas.

Estes resultados permitem concluir que a redução na prevalência do consumo de tabaco foi conseguida sobretudo à custa do aumento do número de pessoas que deixaram de fumar”, concluem os especialistas da DGS.

Tabaco mata 30 pessoas por dia em Portugal

O tabaco continua a ser um peso pesado nas causas de morte em Portugal. Em 2013, “foi a primeira causa de morte em ambos os sexos, de entre um conjunto alargado de diferentes fatores de risco de natureza comportamental”.

De acordo com estimativas para o ano de 2013, o tabaco, incluindo a exposição ao fumo ambiental, foi responsável pela morte de 12 350 pessoas residentes no País, ou seja, mais de 30 pessoas por dia, cerca de 11% do total de mortes registadas naquele ano, das quais 5.488 por cancro, 2.943 por doenças respiratórias crónicas e 2.826 por doenças do aparelho circulatório.

Um indicador que continua a preocupar os responsáveis da saúde, embora a percentagem de mortes atribuíveis ao tabaco esteja a cair muito ligeiramente desde desde 2005.

Outro dos problemas associados ao consumo de tabaco é a mortalidade prematura. “Uma em cada cinco mortes observadas em pessoas, de ambos os sexos, entre os 45 e os 64 anos, são atribuíveis ao consumo de tabaco”, pode-se ler no relatório, que frisa a questão da mortalidade prematura.