“Bem, eu repito”, disse o Presidente da República seguido de um sorriso quase que cúmplice com o primeiro-ministro. O microfone de Cavaco Silva estava desligado e o objetivo era mais do que nobre para que não se ouvisse. Afinal, os dois homens que começaram uma relação com o pé esquerdo, estavam lado a lado para falarem de um “desígnio nacional” que um deixou e que o outro prometeu cumprir. “Tudo faremos para ao longo da legislatura concretizar o desígnio que nos legou”, disse António Costa a Cavaco Silva.

O assunto entre os dois era político. Era a despedida do chefe de Estado e o cumprir de uma “tradição com 30 anos iniciada pelo então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva” de convidar o chefe de Estado para presidir ao último Conselho de Ministros do seu mandato. Mas o assunto que os uniu acabou por ser as políticas e foi sobretudo sobre isso que o Presidente falou.

Na declaração que fez à imprensa, o Presidente da República agradeceu o convite, mas preferiu falar sobre a política do mar. Falou do “reencontro de Portugal com o mar” e de como este tema é “consensual no espetro político português” e pediu “continuidade dada ao trabalho feito no passado”. Mas sobretudo, quis acentuar a ideia de que é preciso olhar para o mar como um mar de “oportunidades de negócio” sempre em “respeito da sustentabilidade ambiental”.

Mas para isso, é preciso “atrair investidores nacionais e externos. (…) O grande desafio é convencer os investidores a investir na economia do mar”, disse o Presidente da República.

António Costa ouvia com olhos postos no fundo da sala e quando tomou a palavra foi para garantir a Cavaco Silva que mesmo com a sua saída, o Governo não vai deixar cair o assunto do mar.

“O Governo quis com este Conselho de Ministros, o último que se realiza nos mandatos de sua excelência, sublinhar bem que as palavras, as mensagens e o desígnio nacional, através da sua ação, é um desígnio que encontrara continuidade para além dos dois mandatos”, disse António Costa.

Já antes o primeiro-ministro tinha garantido que “é altura de transformar o desígnio em realidade e garantir que passaremos das palavras aos atos”, sublinhou.

Os dois responsáveis do país encontraram-se depois de um Conselho de Ministros que aprovou algumas medidas direcionadas para a política do mar desde a utilização de recursos para a produção energética, às energias renováveis, mas também “diplomas que visam responder a esta estratégia de criar condições de financiamento deste investimento”, disse António Costa.