A união monetária poderá não sobreviver se a zona euro voltar a cair em recessão económica. “Perto do abismo” é o título de uma análise do Credit Suisse, um dos bancos de investimento mais influentes do mundo, que avisa que os responsáveis políticos terão muitas dificuldades em conter a ascensão dos partidos populistas caso a retoma (modesta) em curso se desvaneça.

A “viabilidade da moeda única está dependente da recuperação [económica] atual. Se a zona euro recair em recessão, não é garantido que a moeda única sobreviverá“. Esta é uma das principais mensagens transmitidas na nota de análise citada pelo The Telegraph.

O produto interno bruto (PIB) da zona euro cresceu apenas 0,3% no quatro trimestre, recorda o jornal britânico, isto apesar dos estímulos monetários sem precedentes lançados pelo Banco Central Europeu (BCE) e do impulso dado pela descida dos preços da energia. Nem estes fatores chegaram tirar a zona euro do marasmo económico.

O ritmo de crescimento pouco animador e os receios em torno do sistema financeiro europeu – que têm penalizado os mercados financeiros – fazem com que ninguém possa descartar o risco de uma recaída. A Grécia já está em recessão e uma das principais economias do bloco, a Itália, já teve um crescimento nulo (0,0%) no quarto trimestre.

As perspetivas para o horizonte próximo, no que diz respeito à atividade económica e aos riscos existentes, têm-se tornado cada vez mais negativas. É considerável o risco de que uma recaída possa empurrar a zona euro para um círculo negativo destrutivo, aos níveis económico, político e financeiro.

Peter Foley, o economista que liderou o estudo, acrescenta a este “círculo negativo destrutivo” o risco de uma espiral de deflação que, a confirmar-se, causará “danos irreversíveis” à economia europeia, seis anos depois da crise financeira. As consequências seriam um novo aumento do desemprego, preços em queda (deflação), e a “radicalização” dos eleitorados.