A expetativa de que a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, não vai conseguir permanecer no cargo está a fazer com que os custos de financiamento do país baixem face aos elevados níveis da última semana, diz a Bloomberg.

“Cada vez mais há a ideia de que haverá uma mudança política, e isso cria margem para o Governo baixar a oferta de juros elevados durante os leilões do Tesouro”, comentou à agência de notícias financeira Bloomberg o economista chefe da consultora INVX Global Partners, em São Paulo.

A entrada do antigo Presidente Lula da Silva “parece ter acelerado o processo de destituição, um desenvolvimento que o Governo e os mercados não tinham antecipado”, acrescentou Eduardo Velho, dias depois de o custo exigido pelos investidores para aceitarem dívida pública brasileira ter baixado quase 03 pontos percentuais, para cerca de 14%.

Num leilão de dívida na quinta-feira, o Brasil colocou 415 milhões de dólares com maturidade a janeiro de 2020 a uma taxa de juro média de 14,1%, o valor mais baixo desde agosto, uma semana depois de ter emitido 1,5 mil milhões de dólares, a maior emissão de dívida desde maio do ano passado e a primeira desde que a dívida soberana foi cortada para ‘lixo’.

A queda nos juros da dívida não podia ter chegado em melhor altura para o Brasil, que está a tentar financiar uma acentuada subida do défice das contas públicas para combater a maior recessão em mais de um século.

No ano passado, o Brasil teve uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% e para este ano a generalidade das instituições financeiras aponta para uma nova queda à volta dos 3%, a que se junta uma taxa de desemprego e de inflação acima dos 10%.

A crise política brasileira agravou-se desde a semana passada, quando Dilma Rousseff convidou o seu padrinho político Lula da Silva para ministro da Casa Civil, numa iniciativa que a oposição diz ter sido apenas para garantir a liberdade do antigo Presidente, que está sob investigação no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga corrupção, fraude e branqueamento de capitais, nomeadamente na Petrobras.

A nomeação de Lula da Silva foi suspensa na sexta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal, depois de divulgada uma escuta telefónica entre a Presidente e o seu antecessor, que segundo uma medida cautelar, deixava claro que o objetivo da nomeação era evitar que o ex-Presidente fosse preso.