Segundo uma notícia do jornal britânico Daily Mail, uma mulher compra, em média, três vezes mais maquilhagem do que aquela que realmente vai usar, gastando, no total, cerca de 130 mil euros em cosméticos ao longo da vida. Acha este valor demasiado elevado? A mesma notícia diz que temos por hábito acumular 54 produtos de beleza ao mesmo tempo, apesar de só gastarmos, em média, 20 minutos por dia nas rotinas de beleza. Conseguimos utilizar 54 produtos em apenas 20 minutos? É improvável.

Daí que talvez não seja surpresa que muitas mulheres estejam a começar a tentar vender todos os frascos de perfume, paletas de sombras e embalagens de base que compram por impulso e nunca chegam a utilizar ou que arrumam no armário à espera da melhor altura para o fazer. Antes de irem parar ao caixote do lixo, fora de prazo, porque não vendê-los a quem realmente os vai utilizar?

Há sites seguros e aplicações que tornam estas vendas acessíveis

À primeira parece nojento, é verdade. Mas com todas as condições de limpeza e higiene asseguradas, embalagens intactas e produtos selados (quando aplicável), comprar bons cosméticos a preços acessíveis é uma situação vantajosa para ambas as partes: quem compra demais, pode reaver algum do seu dinheiro para investir em coisas que realmente precisa. E quem não pode comprar produtos ao seu preço original, consegue adquirir marcas de que gosta por um valor mais simpático.

Até então, a maior comunidade para este efeito era o grupo Make Up Exchange EU, dentro do site Reddit, com pessoas de toda a Europa a vender e a trocar cosméticos. Isto sem falar de sites como o Ebay, OLX e Custo Justo, por exemplo, mas onde o risco de adquirir produtos sem qualidade ou danificados é mais elevado — porque nunca sabemos quem está do outro lado. Mas claro que, na era das redes sociais e das compras online, seria de esperar que, mais cedo ou mais tarde, alguém se lembrasse de tornar esta ideia numa moda apelativa.

Sites como o Glambot ou o Muabs e aplicações como a Depop permitem comprar e vender maquilhagem e cosméticos em segunda mão com toda a segurança e confiança que isso requer.

Há riscos para a saúde por se usar produtos em segunda mão?

Numa entrevista ao Business Insider, Karen Horiuchi, fundadora do Glambot — que em 2015 estava a gerar um milhão de dólares em vendas — disse que a empresa limpa e desinfeta tudo o que chega, usando calor e álcool para pôr os produtos como novos. E embora alguns dermatologistas digam que, apesar de toda a limpeza feita, é impossível saber que bactérias se possam ter alojado, outros defendem que grande parte da maquilhagem tem conservantes próprios para preservar a durabilidade, higiene e segurança dos produtos.

O Glambot funciona mundialmente (tanto pode comprar como vender, esteja em que país estiver, e se quiser vender os seus produtos à Glambot, a empresa cobre os gastos com o envio), e aqui por Portugal encontra ainda produtos neste registo no site Segunda-mão, embora a compra seja feita diretamente ao vendedor e todas as questões de segurança e higiene não estejam asseguradas.

Se tem receio dos riscos que isto acarreta, saiba que, no caso do Glambot ou do Muabs, todos os produtos que não possam ser desinfetados (como cremes já abertos) estão proibidos de serem vendidos. E tudo o resto está em segurança:

  • Batons: Podem ser facilmente desinfetados com álcool e a parte superior (onde se acumulam bactérias) deve ser cortada.
  • Pós: Todos os pós, sombras e blush podem ser desinfetados para remover a camada superior que pode conter germes e bactérias.
  • Lápis: Se puderem ser afiados, cortados e higienizados com álcool, não há problema. Os lápis de formato caneta são mais difíceis de limpar.
  • Bases líquidas e compactas: São facilmente limpas e desinfetadas, desde que a embalagem não esteja danificada.
  • Acessórios e pincéis: Quando limpos com produtos apropriados, tornam-se seguros para revenda.