Rádio Observador

Estados Unidos da América

FBI fez duas investigações a Omar Mateen e entrevistou-o por três vezes

726

O autor do ataque ao bar de Orlando, que causou 50 mortos e 53 feridos, foi investigado em duas ocasiões pelo FBI. Agentes entrevistaram-no três vezes, mas não o consideraram uma ameaça.

AFP/Getty Images

O FBI realizou três entrevistas a Omar Mateen, nos anos mais recentes, depois de este ter feito, junto de colegas de trabalho, comentários “inflamados” sobre a possibilidade de ter ligações terroristas. Durante uma primeira investigação, o FBI encontrou-se com Mateen em duas ocasiões, durante 2013, mas não conseguiu verificar se as alegações do autor do ataque de Orlando eram verdadeiras. No ano seguinte, o FBI tentou avaliar eventuais ligações entre Omar e um bombista suicida norte-americano e concluiu, desta vez, que o contacto não constituía, na época, uma ameaça.

O Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque ao bar Pulse, em Orlando, que foi cometido pelo americano de origem afegã este domingo e que fez o maior número de vítimas num ataque do género nos Estados Unidos. Este terá sido o ataque terrorista mais mortífero em solo americano desde o 11 de setembro de 2001. O balanço oficial apontava para 50 mortos, incluindo o próprio atirador abatido pelas forças de intervenção.

Um comunicado divulgado pela Amaq, agência que divulga informação sobre as atividades da organização, referiu que Omar Mateen era “um combatente” do Daesh. “O ataque armado que visou um clube para homossexuais na cidade de Orlando, no estado norte-americano da Florida, deixando mais de 100 mortos e feridos, foi perpetrado por um combatente do Estado Islâmico”, afirmou a Amaq num curto comunicado, citando “uma fonte”. O EI ainda não fez qualquer reivindicação oficial.

O autor do ataque terá telefonado para os serviços de emergência antes de iniciar o tiroteio para jurar lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico, segundo noticiaram as televisões norte-americanas. A NBC, que cita fontes policiais, refere que o atirador telefonou alguns instantes antes do crime para o número 911 para anunciar a sua lealdade ao líder do EI.

A CNN avança a mesma notícia, citando um responsável norte-americano que explicou que “o FBI de imediato acreditou tratar-se de um ataque islamita por causa dessa chamada telefónica” e porque eram já conhecidas do FBI as suas “simpatias islamitas”. “Sabemos que ele tinha sido alvo de investigação no passado. Ele não estava no centro das investigações, mas era suspeito de ter ligações com radicais islâmicos e simpatias com a ideologia radical islâmica”, precisou o mesmo responsável na CNN.

Apesar destas ligações, as autoridades admitem que o Omar atuou sozinho, o ataque foi perpetrado com armas que terá adquirido legalmente — há registo que nas duas últimas semanas o atacante comprou uma pistola Glock e uma long gun — e tudo indica, para já, que a ligação ao Estado Islâmico foi cultivada à distância pelo próprio.

O ataque aconteceu quando um homem entrou num bar LGBTI (lesbian, gay, bissexual and transgender) tem Orlando, nos Estados Unidos da América, e começou a disparar sobre pelo menos cerca de 100 pessoas. As autoridades de Orlando comunicaram que existem cerca de 50 mortos no local e 53 feridos a caminho do hospital. Acreditam que o atacante tinha “crenças extremistas”, possivelmente relacionadas com o Estado Islâmico, e que se tratou de um “ataque terrorista interno”.

O autor foi Omar Mateen, um jovem de 29 anos natural de Fort Pierce, também na Florida, e realizou aquele que já é considerado “um dos piores tiroteios em massa da história dos EUA”, antes de ser abatido pela polícia.

O presidente da Câmara Municipal de Orlando declarou estado de emergência na cidade, para permitir que as autoridades se foquem única e exclusivamente na investigação sobre o que se terá passado no Pulse Club. O hospital de Orlando já pediu aos habitantes para doarem sangue. A organização OneBlood afirma que é urgente mais quantidade de sangue O Negativo, O Positivo e Plasma AB.

John Mina, chefe a polícia de Orlando disse em conferência de imprensa que há mais vítimas mortais do que as pensadas inicialmente. “É absolutamente terrível, 50 vítimas, uma só localização. É absolutamente uma das piores tragédias a que já assistimos”, afirmou.

Omar Mateen barricou-se no local, por volta das 2h00 da manhã (7h00 em Lisboa) com reféns, mas as autoridades conseguiram entrar no bar e matar o atacante. Tinha feito cerca de 30 reféns e por esta altura as forças policiais de Orlando ainda não tinham conseguido confirmar a identidade do suspeito, nem sabiam se tinha agido sozinho ou coordenado com algum grupo.

As autoridades encontraram “objetos suspeitos” dentro do bar e nas redondezas, incluindo no carro do atacante, e desde logo classificaram o tiroteio como “um incidente terrorista interno”, afirmou Jerry Demings, responsável pelas forças de segurança locais.

A polícia começou por reportar que existiam “vários feridos”, para depois atualizar para uma situação com “vítimas em massa”. A confirmação de que existiam vítimas mortais só chegou depois em conferência de imprensa.

Shannon Delaney, jornalista da Fox35 News, foi divulgando várias informações na sua conta de Twitter. Contou que as foram salvas 30 pessoas na operação de resgate e que cerca de 20 vítimas não resistiram aos ferimentos. Estiveram envolvidos na operação nove agentes da autoridade, sendo que um foi ferido. Delaney diz ainda que o FBI já classificou o incidente como “um ato de terrorismo”.

A polícia de Orlando receava que o atacante tivesse explosivos e pediu aos habitantes para se manterem afastados daquela área. O aparato policial é visível nas imagens que foram divulgadas nas redes sociais.

Os colaboradores do Pulse Club publicaram um post no Facebook a pedir às pessoas para saírem do bar e “começarem a correr”, cita o The Guardian, numa altura em que o suspeito ainda estava barricado com vários reféns.

As forças de segurança promoveram uma explosão controlada no local e pediram aos órgãos de comunicação social para não divulgaram informações imprecisas aos cidadãos. A Associated Press avançou que a brigada de explosivos e materiais perigosos da polícia se encontra no local. O tiroteio terá começado às 2h00 locais (7h00 em Lisboa).

Ao The Guardian, Richard Negroni – que se encontrava no local – disse que que começaram a ouvir tiros que duraram cerca de um minuto, mas que pareciam durar muito mais. “Houve uma pequena pausa e começámos a correr. Estava toda a gente deitada no chão. Tinha uma pessoa por cima de mim e não consegui ver quantos [atacantes] eram”, contou.

O tiroteio ocorreu um dia depois de a cantora de 22 anos, Christina Grimmie, ter sido mortalmente baleada a seguir a um concerto, também em Orlando. O suspeito, Kevin James Loibl, com 26 anos, suicidou-se de seguida.

“Não tem nada que ver com religião”

“Não tem nada que ver com religião”, afirmou este domingo o pai do presumível atirador, Omar Mateen, residente na Florida e cuja família tem orgiem afegã. Ao canal de televisão NBC contou que há uns meses o jovem tinha ficado furioso ao ver dois homossexuais aos beijos, em Miami, à frente da sua mulher e do filho.

“Não sabíamos de nada. Estamos chocados como todo o país”, disse o pai de Omar Matten, Mir Seddique, que pediu desculpas em nome da sua família pelo ato do filho. Segundo a NBC News, Mateen nasceu em Nova Iorque em 1986 e vivia em Port St. Lucie, a cerca de 200 quilómetros a sul de Orlando. O homem de 29 anos casou-se em 2009 e tinha um filho de três anos.

Entretanto, a imprensa internacional dá conta que o bar Pulse, onde 50 pessoas perderam a vida esta madrugada, foi inaugurado em 2004 para homenagear o irmão da fundadora que morreu com Sida. Barbara Poma e Ron Legler abriram o clube noturno com a promessa de que este não seria “mais um bar gay”, escreve o Mashable, uma vez que o espaço foi criado para celebrar o irmão de Poma, de nome John, mas também para sensibilizar a comunidade LGBTQ.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: apimentel@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)