Em 1957, não havia computadores ou sistemas sofisticados de segurança. Mas foi nesse ano que Bernardo da Costa lançou as bases de uma empresa que, muito mais tarde, seria reconhecida pelo avanço tecnológico.

O grupo que herdou o nome do fundador já não se dedica apenas às instalações elétricas de apoio à construção civil. Se tudo começou nesse campo, há hoje oito empresas com a marca BC, dedicadas à investigação e desenvolvimento, à formação, à saúde e à segurança.

Falámos com Ricardo Costa, CEO da BC Segurança, uma empresa com 12 anos de existência, que surge com uma nova imagem e uma estratégia bem definida para fazer perdurar o nome do avô.

Negócio de família e um início complicado

O grupo sempre esteve nas mãos da família. “O meu pai entrou em 1979, quando foi estabelecida uma sociedade por quotas. Eu entrei em 2002, quando passou a SA (sociedade anónima). O que o meu avô fundou já chegou à terceira geração da família”, explica Ricardo.

IMG_8640[2]

A empresa está assente em quatro valores: equilíbrio, confiança, inovação e estratégia / BC SEGURANÇA

Licenciado em engenharia e gestão industrial, trabalhou numa fábrica de calçado em Famalicão. “Chegou o fim do curso, em dezembro de 2001, e tinha duas hipóteses… Ou ia para Cabo Verde e continuava na empresa, ou seguia para Braga. Tinha o negócio da família à espera”, explica. Assim foi. Passou os primeiros tempos a aprender, a “fazer um pouco de tudo” e a conhecer a realidade de um gestor.

Em 2004, surgiu um desafio: “Uma empresa espanhola propôs que distribuíssemos os seus produtos. Aceitámos e começámos a BC Segurança. Em janeiro, já o senhor Humberto, o primeiro comercial, andava a vender extintores, alarmes de incêndios, entre outros.”

Mas os primeiros tempos da nova empresa não foram fáceis. Segundo Ricardo, “embora tenha beneficiado da estrutura do grupo, passado um ano esteve para fechar. Os principais fornecedores queriam ser eles a vender os produtos. Ou seja, o parceiro tornou-se o concorrente.”

Conseguiram ultrapassar a desfeita. Inicialmente, eram Ricardo e dois colaboradores. Hoje, a empresa tem 34 pessoas a trabalhar para um crescimento de 15-20% ao ano. Em 2015, a BC Segurança chegou aos 9 milhões de euros de faturação, a maior parte com vendas em Portugal. Este é ainda o mercado privilegiado, tanto para clientes como para parceiros de negócio. “Tanto no grupo, como na empresa, procuramos manter as ligações. É curioso, mas o primeiro fornecedor da empresa do meu avô é um dos nossos fornecedores atuais”, diz Ricardo.

Expansão para vários continentes

Mas se Ricardo já tinha recusado uma ida para Cabo Verde, a atividade da BC Segurança já pedia a internacionalização. “Em 2009 fiz a minha primeira viagem a África. Estive em Angola para ver se havia potencial de negócio. Não. Três meses depois, fui a Moçambique. Em junho desse mesmo ano, entrámos no mercado”, recorda o responsável.

Em 2014, desistiam. “Abandonámos o mercado moçambicano. Já não me sentia bem e foi quando estávamos no auge dos raptos. Mas foi uma experiência fundamental. Cometemos os erros todos… Alocação de recursos, o que se vende lá e o que se vende cá… Tudo”, explica Ricardo.

As lições que trouxeram na bagagem já os tinham feito virar para outros mercados, um em cada continente. Ir para os Camarões foi um desafio de uma empresa de Guimarães. Desde 2011, continuam a captar projetos e já trataram da segurança eletrónica das instalações da Federação de Futebol e de uma universidade em Douala.

“E olhámos para o Brasil, claro. Além da língua portuguesa, há um enorme potencial na nossa área. Demorámos um ano para encontrar um parceiro local, mas em 2014 iniciámos o projeto”, diz o gestor.

Chegaram lá “seis meses antes da crise”, com tempo para se adaptarem. Segundo Ricardo, “há necessidades imensas de segurança, mas é um verdadeiro inferno fiscal. De três em três meses surge um imposto novo”. Atualmente, e apesar da grave crise, a empresa continua a trabalhar no mercado brasileiro, com escritórios em Porto Alegre e 102 representantes dos seus produtos em todos os estados.

Impactos da crise transformados em resiliência

Para lá da adaptação a novos mercados internacionais, a BC Segurança sentiu o impacto da crise nacional. “Não foram anos fáceis. Só em Braga, houve uma razia no setor da construção civil e muitos dos nossos clientes são desse ramo”, explica Ricardo.

A atividade do grupo ajudou a nivelar o choque e a voltar a crescer. A abertura de uma delegação em Sacavém (Lisboa) foi um “momento decisivo”. Segundo o CEO, “em 2015, pela primeira vez, as vendas de Lisboa suplantaram as de Braga”. No ano passado, alcançaram também a liderança do mercado nacional de segurança eletrónica.

Com 650 clientes ativos, o principal objetivo é agora consolidar as apostas mais recentes. “Como não vendemos ao cliente final, mas a empresas que instalam os nossos produtos, temos que mostrar que não somos ‘moving box’ [entrega de encomendas], mas que acrescentamos valor”, diz Ricardo.

Brevemente, vão ter novas instalações no Centro Empresarial de Braga e começam a olhar para a Suíça como um mercado potencial. No entanto, os principais recursos continuam a estar mais perto: “Já fomos distinguidos várias vezes como uma das melhores empresas para trabalhar. Vemos os trabalhadores como família e partilhamos o sucesso. Organizamos meetings, damos viagens por cumprirmos objetivos. Só com esta equipa é que podemos ter estas perspetivas de crescimento”, explica o responsável.