O turno acabaria dali a pouco tempo. Era madrugada de 11 de outubro e os guardas Carlos Caetano e António Ferreira andavam a fazer patrulha em Aguiar da Beira (distrito da Guarda) até que aquela viatura perto de um hotel em construção lhes despertou a atenção. Foi tudo muito rápido. Os militares pediram ao condutor a identificação e assim que a analisavam ele abriu fogo. Carlos Caetano foi morto ali, enquanto o colega António Ferreira foi obrigado a enfiar o corpo do colega na bagageira do carro patrulha. Os suspeitos obrigaram-no, depois, a seguir até uma zona industrial ali próxima. Deram-lhe um tiro no pescoço e amarraram-no a uma árvore. Foi ele que, depois de socorrido, contou como abordaram os suspeitos.

A morte de Carlos Caetano e os ferimentos provocados no guarda António Ferreira vêm juntar-se à lista de operacionais da GNR feridos e mortos em serviços. Segundo os relatórios Anuais de Segurança Interna de 2008 até 2015, nestes oito anos sete militares morreram ao serviço da Guarda, enquanto 2 4121 outros sofreram ferimentos.

O tiroteio na Quinta do Conde que provocou a morte a um GNR e a um PSP

A última vez que a Guarda esteve de luto porque perdeu um militar num tiroteio foi em agosto do ano passado, depois de o guarda Nuno Anes ter sido morto a tiro numa ocorrência na Quinta do Conde, em Sesimbra. Foi ele o primeiro a chegar a um tiroteio que culminou na porte de um elemento do Corpo de Segurança Pessoal da PSP e do seu filho, de 23 anos.

Eram 17h00 quando os vizinhos ouviram os tiros e telefonaram à GNR. Nuno Anes, apenas há três ao serviço da Guarda, foi o primeiro a chegar. Naquele dia estava a trabalhar porque tinha trocado o horário com um colega. Assim que chegou, deparou-se com o corpo de um homem tombado no chão. Era António Pereira, atingido junto ao carro que estacionara à porta de casa. Junto a ele o filho, um homem de 23 anos que tentava socorrer o pai. Nuno Anes correu para junto dos dois, mas mal se ajoelhou, nova chuva de tiros. Ele e o filho da vítima acabaram atingidos mortalmente.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Os disparos que fizeram três mortes terão sido feitos por Rogério Coelho, um homem de 77 anos que travava há anos uma quezília com o polícia, seu vizinho. Tudo por causa dos cães que ambos detinham. Depois de disparar, o idoso ainda tentou o suicídio. Sem sucesso. Está preso à espera de julgamento. O agente da PSP já tinha apresentado queixa contra o homicida em 2011 e até já havia registo de agressões.

12107960_863916640330819_2361885638142670474_n

O guarda Nuno Anes perdeu a vida na Quinta do Conde. Amigos prestaram-lhe homenagem no Facebook

O jovem militar que sempre sonhou em ir para a GNR

Novembro de 2013. Um homem de nacionalidade moldava entra num restaurante do Pinhal Novo, ameaça o proprietário e a família dele com uma arma de fogo e obriga-o a entregar 50 mil euros. O empresário ainda consegue avisar as autoridades e é Bruno Chaínho, um militar da GNR de 27 anos, a quem calha seguir para a ocorrência.

Ele e os colegas, que entretanto foram chamados a reforçar a equipa no local, ainda tentam por várias horas convencer o homem a entregar-se às autoridades. Ouvem-se explosões dentro do restaurante. Ele não cede. O Comando decide que é necessário entrar à força e neutralizar o barricado. Bruno Chaínho ainda consegue salvar um uma mulher e uma criança, mas acaba atingido na cabeça. Tem morte imediata.

Bruno sempre sonhara entrar para a GNR. Antes tinha prestado serviço militar nos fuzileiros. Estava no Posto de Pinhal Novo há apenas quatro meses.

O apoio que a família recebe

Mostrar Esconder

A GNR dispõe de um gabinete de Psicologia que presta apoio aos familiares das vítimas ao serviço da instituição. O Estado também indemniza as famílias das vítimas mortas em serviço, como recorda ao Observador presidente da ASPIG – Associação Socioprofissional Independente da Guarda, José Alho. Segundo o Decreto-Lei n.º 113/2005 “o valor da compensação por morte é de 250 vezes o valor da retribuição mínima mensal garantida”. Em relação aos feridos, o valor pode oscilar entre 150 a 200 vezes da
retribuição mínima mensal garantida. Este decreto de lei foi alterado em 2005 após a morte de quatro agentes da PSP, três deles na Amadora, que foram abatidos a tiro. Segundo José Alho, o primeiro caso em que uma família recebeu compensações monetárias ocorreu em Vila Nova de Milfontes, em Odemira quando um militar faleceu e deixou uma filha menor.

Depois de feito o inquérito pela Inspeção Geral da Administração Interna, Governo indemnizou a família do militar em 121 mil euros. Em declarações ao jornal Público, o pai do militar, Sérgio Chainho, afirmou que não sabia que iria receber essa indemnização. “Não sabia que nos iam dar dinheiro. Preferia não o receber. Preferia pagar ao Estado para que o Bruno estivesse vivo. Não há dinheiro suficiente. O meu filho, que sempre sonhou ir para a GNR, morreu. O maior prazer do meu filho era ver a lei a ser cumprida e mesmo quando morreu fez cumprir a lei”, declarou.

Um GNR foi morto a tiro ao tentar socorrer uma mulher

O outro caso que integra os número negros da GNR chama-se David Dinis. Era ele um dos militares que, naquele ano de 2009, estavam no posto da GNR de Montemor-o-Velho. Naquele dia uma mulher deslocou-se ali para apresentar queixa por violência doméstica. Ia acompanhada pela filha de seis anos.

Os militares aconselharam-na a ir ao hospital e chamaram uma ambulância. E foi no percurso do posto da GNR para a unidade de saúde que o marido da vítima abordou a ambulância. Com uma arma de fogo ameaçou o condutor: “ou paras ou dou-te um tiro”, terá dito. O condutor contornou-o, deu meia volta e regressou ao posto da GNR. O agressor não os deixou em paz. Mesmo à porta do posto abriu as portas da ambulância e abriu fogo. A mulher, Maria Costa, de 35 anos, morreu. Os disparos acabaram por atingir David Dinis, que veio a correr cá fora ver o que se passava, alertado pelos colegas.

Segundo o Correio da Manhã, David Dinis, um militar da GNR, ao aperceber-se dos disparos tentou socorrer Maria Costa, a vitima de 35 anos, mas foi morto a tiro pelo marido da vítima, um ex-fuzileiro. David Dias tinha 42 anos. E foi mais uma vítima ao serviço da Guarda.

Artigo editado por Sónia Simões